parábola do dia

Então você tem aquela dor crônica e chata há uns dois anos. Por ela te habitar há cerca de 700 dias, você meio que já se acostumou com ela. Seu instinto te ensinou a camuflá-la, seu sexto sentido sabe como se desviar do toque para que ela não machuque e, em alguns dias, ora veja só, você até se esquece dela. Nem precisa mais pensar onde não encostar para que ela não doa, porque ela já virou uma parte de você, e se esquivar de seu incômodo já é natural.

Até que, por um descuido, você dá uma topada na quina da cama e ela dói, dói muito, como no primeiro dia. É um domingo lindo e ensolarado de fim de agosto e você está chorando quietinha, sozinha – não mais pela dor daquele momento, mas porque você se deu conta de que, em todos esses dois anos, ela nunca deixou de doer, você só estava se autoenganando.

***

(ultimamente tenho pensado muito nessas dores com as quais a gente se acostuma, e como criar consciência disso para se desacostumar logo, porque a gente não pode ficar por aí se acostumando com coisas ruins, não)

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1 Response to “parábola do dia”


  1. 1 Mariana agosto 29, 2011 às 12:03 pm

    ela passa sim..
    não é costume, é esquecimento.

    bjs


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