Arquivo para agosto \29\UTC 2011

e vem chegando a primavera, nosso futuro recomeça

“Hoje é dia de esperar que o verde deste quase fim de inverno aqueça os parques gelados, as ruas vazias, as mentes exaustas de bad trips.
Hoje é dia de não tentar compreender absolutamente nada, não lançar âncoras para o futuro. Estamos encalhados sobre estas malas e tapetes com nossos vinte anos de amor desperdiçado…”
(Caio Fernando Abreu, via)


Hoje um grande pedaço de mim morreu. Para que outro pudesse nascer, muito em breve, mais colorido e florido. Aquele tipo de renascimento que só a primavera é capaz de trazer.

Hoje, como Caio, eu não quero compreender nem olhar para o futuro, hoje vou ficar encalhada sob o peso de tantos anos de amor desperdiçado. Mas só hoje… ainda tenho a segurança tranquila daqueles que sabem que o melhor está por vir, sempre. E ai de quem ousar desconfiar.

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parábola do dia

Então você tem aquela dor crônica e chata há uns dois anos. Por ela te habitar há cerca de 700 dias, você meio que já se acostumou com ela. Seu instinto te ensinou a camuflá-la, seu sexto sentido sabe como se desviar do toque para que ela não machuque e, em alguns dias, ora veja só, você até se esquece dela. Nem precisa mais pensar onde não encostar para que ela não doa, porque ela já virou uma parte de você, e se esquivar de seu incômodo já é natural.

Até que, por um descuido, você dá uma topada na quina da cama e ela dói, dói muito, como no primeiro dia. É um domingo lindo e ensolarado de fim de agosto e você está chorando quietinha, sozinha – não mais pela dor daquele momento, mas porque você se deu conta de que, em todos esses dois anos, ela nunca deixou de doer, você só estava se autoenganando.

***

(ultimamente tenho pensado muito nessas dores com as quais a gente se acostuma, e como criar consciência disso para se desacostumar logo, porque a gente não pode ficar por aí se acostumando com coisas ruins, não)

uma vida amor

Sábado, meu pai:

– Eu estou com muito sono porque dormi pouco essa noite… acordei às 5h30 para ir ao banheiro, sua mãe também foi e aí a gente começou a conversar, porque não tínhamos conversado a semana inteira, perdemos o sono e acabamos levantando… Agora to quebrado.

***

Algumas horas mais tarde, eu no salão com mamis:

– Não gente, olha meus pais, que amor (recontei a história). Porque sério, levantar às 5h30 num sábado para colocar a conversa em dia, haja disposição hein? 

No que minha mãe responde, para quem quisesse ouvir:

– Mas ué, a gente não tinha conversado a semana inteira mesmo, foi tudo tão corrido!

Todas em coro: “Owwwnnn”

.

PS: domingo finalmente conheci pessoalmente Dani Arrais, do super favorito “Don’t touch my moleskine“, e hoje fui matar saudade deste texto,  ♥

sol e café fresco

To lendo um livro  que fala sobre como ter muitas opções de escolha, na maioria das vezes, só nos deixa mais angustiados e nos faz tomar decisões piores. Mas o que eu achei mais interessante até agora é quando o autor mostra, através de pesquisas, como coisas que aparentemente mudariam nossa vida drasticamente, para o bem ou para o mal (ganhar na loteria ou ficar paraplégico), no fim não mudam tanto assim – porque nosso poder de adaptação é muito maior do que achamos que é. Resiliência define.

Outra coisa que me chamou muito a atenção é quando ele diz que, quanto mais dinheiro as pessoas têm, menos elas passam a dar valor a pequenos prazeres, como cheiro de café fresquinho e um céu azul. E agora, todas as manhãs, quando eu estou encantada com o céu lavado-a-mão e fazendo um café bem escuro e cheiroso, eu fico pensando em quanto dinheiro eu precisaria ganhar para parar de prestar atenção a isso. Porque se tem uma coisa capaz de mudar imediatamente o meu humor é o combo café fresco + dia bonito.

fly me to the moon

Thomas Fairchild: He’s still David Larrabee, and you’re still the chauffeur’s daughter. And you’re still reaching for the moon.
Sabrina Fairchild: No, father. The moon is reaching for me.

(trecho de “Sabrina“, de 1954, interpretada por Audrey Hepburn)

***

Ultimamente ando bem assim: não sou eu que estou correndo atrás da lua. É ela que está tentando me alcançar, :)

no caminho do bem

E aí que mesmo a gente acreditando, fazendo mil mentalizações, praticando a lei de atração mimimi; mesmo assim nem tudo sai como gostaríamos, e olha que a gente gasta um montão de energia sonhando. Eu escuto “dog ays are over” na balada e me dá vontade de chorar, sinto lagriminhas teimosas tentando cair no meio da pista, para fazer cena, porque os dias de cão não acabaram, ainda. Respiro fundo e penso, “vou deixar para chorar quando estiver em casa, escondidinha, no silêncio”. Mas, ao chegar em casa, não dá mais vontade de chorar. Reflito um pouco, vejo que tenho saúde, casa, comida. Família unida, amigos queridos, vida profissional aquecida. E posso ainda não ter encontrado outro grande amor, mas o que tenho ainda é tão mais do que a maioria das pessoas tem a sorte de ter. E por mais que às vezes eu faça a ingrata e me esqueça disso; sempre vem um lampejo de bom senso e me salva de ser rabugenta gratuitamente. Porque mesmo quando nem tudo sai como gostaríamos, ainda assim acreditar que mais-dia-menos-dia vai ser é a esperança que nos resta. Virar pessimista é que não dá – é contra a natureza. E uma baita deselegância.

um dia será

“Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas pra um dia dar certo.
(Caio Fernando Abreu)


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