Arquivo para julho \24\UTC 2011

o presente é um presente

A coisa mais linda que tem no novo filme do Woody Allen, “Midnight in Paris”, não é a Paris romântica debaixo de chuva ou o charme rabugento irresistível de Hemingway. É a mensagem de que a gente tende mesmo a romantizar o passado, achar que tudo era mais bonito interessante feliz melhor antigamente. Mas se tivéssemos mesmo a chance de voltar, veríamos que nem tudo são flores, que toda época tem seu lado bom e ruim, como tudo na vida, a-dor-e-a-delícia-de-ser-o-que-é. Sei que a lição é meio batida, mas é repetida over and over again porque a gente esquece mesmo, com essa mania besta de sempre achar que a grama do vizinho é mais verde, ou que o passado/futuro era/será melhor, quando tudo o que temos em nossas mãos, de fato, é o hoje, nada mais.

Mais de 90 pessoas morreram na Noruega, e outras tantas se vão todos os dias, de fome, frio, acidente. E, na nossa rotina no piloto-automático, a gente nem pensa em morte. O que seria bom, se a gente pensasse mais em vida. Mas não é o caso – na maioria das vezes, a gente só deixa viver.

Nota mental do dia: só pensar no presente. Ou, como disse Ivi neste texto bonito, “pior do que morrer é não se perceber vivo“.

“Pick the day. Enjoy it – to the hilt. The day as it comes. People as they come… The past, I think, has helped me appreciate the present – and I don’t want to spoil any of it by fretting about the future.”
(Audrey Hepburn, via Lu, minha ex-chefe, tão querida)

tempos difíceis para os sonhadores

(via Fe Resende)

Por mais que muitas coisas bacanas tenham me acontecido nos últimos tempos, tem sido muito, muito difícil manter a resiliência quando vejo pessoas tão queridas desmoronando ao redor. Problemas de saúde, financeiros, de futuro. E mesmo quando a gente tem aquela sensação de que tudo vai dar certo, de acreditar, atrair coisas boas, sonhar; quando a vida real dá um tranco de verdade, olha, é difícil segurar. Como faz?

a arte de endoçurar


(via Camila)

Curioso perceber que, quando há muitas coisas acontecendo ao nosso redor – e, teoricamente, quando seria a hora de contar mil coisas –, aí sim é que fico calada, observando, absorvendo. Sinto que não tenho muito a dizer a respeito, e fico triste de ver o drops assim abandonado, mas a vida lá fora tem tido tanto aprendizado.

Trabalhos de fim de semestre entregues, boas notas alcançadas e sensação de missão cumprida. Ao redor, relacionamentos queridos que terminaram, melhor amigo passando por momentos difíceis, pessoas que amo sofrendo. Mas também encontro de mulherzinhas para colorir o dia, muito muito muito trabalho, pessoas especiais que entram na minha vida e mostram novos caminhos, eu pegando no volante (do carro e da vida), e com lentes de contato o tempo todo. Que não são cor-de-rosa para polianizar, mas são aquelas de verdade, para enxergar o mundo com seus contornos nítidos, a vida como ela é.

Tento não me intoxicar com o que me chega de ruim e triste, mas também não infantilizar, diminuir ou problematizar. Saber equilibrar bônus e ônus, ajudar quem precisa, respirar fundo diante de problemas e saber-se capaz. Endoçurar, babe. Endoçurar.

time to build

Construir novos hábitos, novos relacionamentos, novos comportamentos, novas maneiras de enxergar o mundo. Desconstruir velhos preconceitos, velhos desgostos e velhas lembranças que só fazem sofrer.

Sei que é um processo, que já diria Guimarães Rosa que “o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando”.

Mas confesso que o processo todo muitas vezes se torna exaustivo e tudo o que a gente mais quer é jogar a toalha e dizer, “me vê uma Nathalia já prontinha e acabada, pra viagem por favor?”


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