verdade maior

“(…) Nosso Don sai em busca desse filho, ou seja, das muitas mulheres que amou ao longo da vida. Quem são elas? Isso não tem importância, pois elas já não são quem foram. Esse é, talvez, o ensinamento essencial de Jim Jarmusch: com dor ou sem dor, as pessoas mudam.”
(Inácio Araújo, em crítica ao filme “Flores Partidas”, na Folha de segunda)

Outro dia estava assistindo uma entrevista da Regina Navarro Lins (sexóloga e psicanalista) na Marília Gabriela, quando a entrevistadora diz que vai fazer uma pergunta malcriada: “Como você, que estuda tanto sobre relacionamentos, está no seu 3º casamento?”. No que a entrevistada responde: “Porque a Regina que eu era aos 20 não é a mesma Regina que eu fui aos 40 e nem a que eu sou hoje aos 60. As pessoas mudam, e os relacionamentos também. Não é que meus outros casamentos não tenham dado certo – eles deram certo o tempo que tinham que dar”.

Fiquei pensando muito nisso depois, em como as pessoas mudam, e em como nenhum relacionamento é estático. Em conversa tão querida semana passada, estava falando disso com uma amiga – em como há pessoas que podemos ficar anos sem ver, e a sintonia é sempre mesma; e em como com outras é mais uma coisa de ocasião (estudos, trabalho etc) e, passado o que nos unia, vai embora também a conexão. E sempre fico muito frustrada quando reencontro essas pessoas, que em algum momento significaram o mundo para mim, e hoje não reconheço nem o olhar numa foto, como se fosse um completo estranho. Sensação que já experienciei até comigo mesma, ao olhar fotos antigas, e deu saudade de mim, como se fosse uma amiga que tivesse partido. O que, em partes, não deixa de ser também.

Nossa essência permanece a mesma, mas há tantas, tantas nuances que se transformam. Histórias, experiências, amores, dores, vivências. E isso muda nossa maneira de enxergar o mundo, de se relacionar com as pessoas, de lidar com o que está ao redor. O que, em grande parte, caracteriza muitos dos nossos relacionamentos. Algo que adorávamos há cinco anos e hoje já não faz o menor sentido.

Mas minha amiga me tranquilizou, dizendo que esse dinamismo todo contribui para outra coisa também: para, em outros momentos, reencontrarmos essa conexão. De outras maneiras, sermos outras pessoas daqui a um tempo, que reatam laços e voltam a encontrar o que as uniu no passado. Que João Guimarães já afirmou, que a gente afina e desafina, se encontra e desencontra e reencontra nesse mundão-de-meudeus. Verdade maior. E isso me alegra de montão, João. Me alegra de montão.

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3 Responses to “verdade maior”


  1. 1 Linda junho 6, 2011 às 8:24 am

    A mais pura verdade Nath!!!Muito bem escrito.

    Beijo grande.


  1. 1 me and you and everyone we know | drops de anis Trackback em maio 15, 2013 às 6:28 pm

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