all things must pass, all things must pass away

Algumas vezes, tomei bronca de leitor por insistir na tal ideia de desapego. E não fico chateada; afinal, se exponho minha vida aqui tenho que estar aberta à reação provocada, também. Mas comentários sempre me fazem pensar, expandir horizontes.

Como vocês já devem ter percebido, desapego é um assunto que tem tomado muito do meu tempo este ano. E longe de mim querer ser repetitiva, mas é algo que tenho vivenciado bastante, principalmente nos encontros sobre meditação e estudos budistas. E é uma coisa com a qual estou tendo que aprender a lidar, meio que na marra.

Sei que, quando falo sobre isso, logo vem a ideia de um grande amor, separação ou algo do tipo (daí a tal repetição), mas nem é mais isso que preciso superar – que sim, doeu muito e por muito tempo, mas que hoje, de coração tranquilo, já posso dizer que faz parte do meu passado.

No momento, a ideia do desapego para mim é mais ampla; de me desapegar de ideias que eu tinha, de sonhos e planos que vamos fazendo compulsivamente quando somos muito jovens e acreditamos ter o mundo nas mãos, e que depois não saem como gostaríamos e lá nos encontramos, com um colo cheio de frustrações e muitos anos mais pela frente – para sonhar de novo e fazer diferente. Então esse tal desapego, hoje, seria mais aprender a digerir o curso natural das coisas ao invés de ficar tentando controlar tudo. E compreender que, se não foi, é porque não era pra ser, ponto. Que talvez muito mais coisas e mais incríveis estejam nos esperando, como li certa vez, sobre “deixar para trás a vida que tínhamos planejado, para ter a vida que está nos esperando”. Seja lá qual for.

E tentar seguir em frente de coração novo. “De repente, a mudança tão procurada poderá ser a maneira de encarar o problema, talvez mais leve, prática e objetiva”, como me disseram nessa tal bronca, com um fundo imenso de cuidado e carinho.

Porque, como George Harrison diz na música que dá título a este texto, tudo deve passar. Coisas boas e ruins acontecem a todos, o tempo todo. Só cabe a cada um de nós encarar os fatos e escolher a melhor maneira de lidar com isso. E brindar um novo dia, e uma chance de fazer tudo diferente – hoje.

Anúncios

5 Responses to “all things must pass, all things must pass away”


  1. 1 Ju maio 30, 2011 às 11:15 am

    ah essa prática tão difícil…
    muito difícil e tão necessária…
    mas difícil

    =)

  2. 2 Flá maio 30, 2011 às 4:29 pm

    Eu nunca gostei mto dessa história de desapego, sempre achei meio frio e “abandonento”- mesmo eu sofrendo demais em me apegar tanto.

    Mas apesar da minha reserva sobre o assunto, sua descrição me fez pensar diferente…que forma linda de colocar as palavras e sentimentos! De fato, viver pensando em tudo que poderia ter sido e não foi traz uma agonia tão paralizante que o ideal mesmo é tentar seguir em frente,seja como for…

    Lindo mesmo! =)

    =*

  3. 3 Anna Clara maio 30, 2011 às 6:51 pm

    A gente sofre pra aprender a desapegar, mas depois que aprende, a vida é outra. Parece que fica mais leve.

    Sou leitora antiga daqui, mas acho que nunca comentei. Parabéns pelos textos tão gostosinhos de ler =)

  4. 4 Ana Paula maio 31, 2011 às 1:44 am

    Que bom ler isso aqui, Nath!! Não tenho comentado, mas tenho lido e gostado tanto tanto. :)
    Post como uma luva. Boa semana pra ti!
    Beijos do sul. :*

  5. 5 Amiga maio 31, 2011 às 10:14 am

    “Mega bronca?!” Aff…Meu coração deu um pulo aqui, rs…mas realmente, aquele post mexeu muito comigo porque tocou num ponto crítico aqui dentro. Rs! O tal desapego, tão difícil pra mim tb, Nath. O bom é que mexeu tanto que não consegui deixar de escrever e isso serviu para nos aproximarmos um pouco mais. :-)Sabe, ontem numa conversa com a minha mãe, ela soltou:
    “Linda, vc é teimosa!” e eu respondi: “O que você chama de teimosia, eu qualifico como perseverança.” Ela retrucou: “Tinhosa até na resposta!” hahahhaha e eu sei que ela tem razão…mas é que eu não consigo deixar de tentar contornar o destino para chegar aonde quero, naquela premissa de que
    “Quando você quer alguma coisa, todo o universo conspira para que você realize o seu desejo.” Não consigo deixar de acreditar nisso Nath, não só em relacionamentos, mas em relação a tudo! A tal da tinhosidade que não consegue desapegar…rs Mas entendo o que você quer dizer, a mudança é a dinâmica da vida, é o ritmo, a ordem natural e às vezes, ela necessita do tão temível desapego…(aff, outra sessão, rs…) Ainda estou digerindo, Nath…rs Beijooosss!!!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Blog Stats

  • 162,068 hits

%d blogueiros gostam disto: