última oração pr’a salvar meu coração

Lembro que há um tempo, depois de mais uma dentre tantas decepções amorosas, me veio uma frase à cabeça: minha dor é idioma. Eu queria muito escrever um texto com ela (um livro, talvez?), mas postergar é nossa lei, o tempo passou e eu acabei não usando para nada… e ontem ela me veio novamente.

Porque, além de um bom sorriso, também é através dessa tal dor que me comunico, que digo tanto sem dizer nada, que eu consegui me aproximar de pessoas que nem falavam a minha língua ou sabiam do meu passado, da minha fobia de lugares fechados ou mania de dormir de meias. Por causa de um coração partido, e de como as pessoas conseguem se identificar com o ocorrido, e dizer as coisas mais bonitas. Como todos já passaram por isso em algum momento da vida, em como é algo tão democrático e fatídico; e, mesmo assim, no meio de um monte de clichês, como ainda conseguem dizer algo que traga um pouco de conforto. Nem que seja um “também já passei por isso”, para então compartilhar uma história e fazer com que a gente se sinta menos só no mundo.

Sei que falam um monte sobre rivalidade feminina, que mulheres só sabem competir, mimimi. Mas algumas das melhores amizades que fiz nos últimos tempos foi por causa de um coração partido, porque começamos a falar de como sofremos por causa de alguém, e choramos juntas, nos abraçamos desejando sinceramente um novo amor, e viramos amigas para todo o sempre, até-que-a-morte-nos-separe-amém.

(E não quero falar mal dos homens. Tenho muitos e ótimos amigos, pau pra toda obra. Mas homem é aquela coisa pragmática, preto no branco, e mulher tem essas várias nuances e camadas e sentimentos e sentimentalismos.)

Ontem de manhã eu recebi um email querido com um vídeo lindo que dá título a este post. Tipo um chá quentinho via caixa-postal, um abraço virtual. Como outros raiozitos de sol que recebi esta semana. E me peguei a pensar que “dor” rimar com “amor” é uma linguística bem da cafona. Mas olha, até que faz um pouco de sentido viu?

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8 Responses to “última oração pr’a salvar meu coração”


  1. 1 Bianca Garcia maio 21, 2011 às 10:00 pm

    lindo, lindo, nath! acho que é bem por aí.
    sinta-se abraçada agora e depois e depois, o abraço que não dei em ninguém hoje.

    beijo, querida.

    =)

  2. 2 Andreia maio 22, 2011 às 6:06 am

    E é mesmo!
    Ainda me lembro do primeiro post do “drops” que li. E identifiquei-me logo com ele. Ainda com alguma relutância, comentei… E olha agora onde nos trouxe :D

    Um oceano torna complicado o encontro físico, a língua é a mesma, mas a língua da alma aproxima qualquer um…

    Um bjo

  3. 3 Fabi maio 22, 2011 às 7:19 pm

    Nath, apesar de tudo continuo acreditando na arte do encontro, sabe? E isso acontece quando a gente menos espera.

    :*

  4. 4 Ana Carolina maio 22, 2011 às 10:40 pm

    Oi Natália,

    vc não me conhece mas eu entro diariamente no seu blog. Conheci o Drops através da revista Capricho, tempos atrás. Fiquei um tempo sem acessar, mas, há mais ou menos um ano, estava carente de um blog legal pra ler e lembrei desse aqui.
    Tudo que você escreve cai sempre como uma luva pra mim: seja sobre amor, viagens, dificuldades ou destino. Além disso, foi através do seu blog que eu conheci o Don’t Touch My Moleskine, hoje um dos meus vícios favoritos na internet.
    É reconfortante saber que alguém tem os mesmos anseios e a mesma visão de mundo que eu (e isso sem nem te conhecer de fato: maravilhas da internet). Me sinto muito acolhida por vc e compartilho do seu olhar sensível em relação à vida, assim como dessa necessidade de dar um sentido maior pra tudo e buscar o amor mesmo contra todos os poréns.
    Sempre acompanhei passivamente tudo que você posta aqui, mas hoje, em especial, estava precisando de um conforto a mais, que encontrei aqui.
    Saiba que eu também sou dessas que cai, levanta e já sai emendando um passo no outro de novo. Mesmo quando toda a realidade insiste em jogar um balde de água fria nas minhas ilusões, eu procuro um jeito de continuar tirando meus pés do chão, na esperança de um dia levitar. Não sei se esse é o melhor jeito de encarar a vida, mas é o único que conheço até agora. Já que não temos certeza de nada, pelo menos temos permissão pra investigar, não é? Obrigada por compartilhar suas descobertas e me deixar dividir um pouco das minhas.

    Beijo

  5. 5 Amiga maio 24, 2011 às 10:28 am

    Nathalinda!!!!! Como foi dito acima, obrigada por compartilhar as suas impressões e deixar uma dose de doçura em nossas vidas.

    Beijo grande, querida!

  6. 6 marcus maio 27, 2011 às 1:55 pm

    “homem é aquela coisa pragmática” Não é bem assim. Tem uns que não são. Eu, por exemplo. É estranho quando nos colocam sempre esse comportamento padrão. Por causa de péssimos exemplos de homens, às vezes me sinto nívelado por baixo.

    • 7 nath maio 27, 2011 às 2:24 pm

      oi Marcus, tudo bem?
      peço desculpas se você se sentiu ofendido com a generalização.
      mas é que todos os homens que conheço, mesmo os mais sensíveis, são sim muito mais práticos e objetivos que nós mulheres – característica que invejo, muitas vezes.
      mas sempre há exceção à regra, e talvez você seja uma delas ;)


  1. 1 diário de um coração partido, parte 4 – as companhias | drops de anis Trackback em março 1, 2013 às 11:05 am

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