Arquivo de abril \28\UTC 2011

i am ready, i am ready for a fall

Sem medo de me tornar repetitiva, volto a reforçar meu amor infinito pelo outono, que tem sido fonte máxima de inspiração nos últimos dias. Estação em que as folhas velhinhas e secas morrem e caem das árvores, criando um tapete crocante e em degradês alarajados nas calçadas, fornecendo um respiro para os galhos darem conta do inverno, antes de reflorescerem carnavalescos e coloridos na primavera. Estação minimalista que simboliza renovação, de trocar o que não nos serve mais, de deixar entrar tudo que traz sabor de novidade, nem que seja apenas um olhar diferente para algo já batido.

Outono, para mim, é frescor – da brisa de fim de tarde, de céu azul lavado a mão, de mil ideias e inspirações renovadas. E de aprender a se deixar morrer também, para abrir espaço para renascer, quando necessário. Para renovar a energia do arranjo.

 

“(…) Na medida em que os dias passam, umas flores podem começar a ficar feias antes de outras – é bom tirar essas murchas do arranjo para que as outras continuem saudáveis, sem demanda extra de energia para se sustentarem.”
(“metáfora pra vida”, da querida Fer Resende, no texto “Para renovar a energia do arranjo”

brincando de colorir

Minha família toda surtando porque não conseguíamos falar com a menina que faz nossos ovos de páscoa e ninguém sabia se teríamos chocolates no domingo.

Eu e meu pai, o lado zen do clã:

– Na pior das hipóteses a gente fica sem ovo e compra tudo na Americanas semana que vem, naqueles pague-1-leve-2.

– Foi o que eu falei pra sua prima! Pelo menos semana que vem tá tudo pela metade do preço e dá para comprar o dobro.

Esta é minha vida, este é meu clube ♥

 

 

(embalagenzinha remanescente dos presentes de natal, que encontrei outro dia perdida na minha bolsa)

fé em deus e pé na tábua

Apesar de não gostar de ver o drops assim entregue às moscas, minha vida tem sido tomada por um desequilíbrio tão grande nos últimos tempos que está sendo difícil segurar os pratos e brincar de malabarista. Há pouco enfrentei uma fase dura, de não querer sair da cama pra nada, sem vontades, desejos ou energia para qualquer coisa que o valha, lutando para não me entregar. Foram umas duas semanas que pareceram anos, um outono pintado de cinza na janela do quarto. Deve ser tão triste de fato ter depressão e enfrentar isso por meses (às vezes anos) a fio, pensei.

Mas minha vida profissional decolou de vez e não tive muita escolha a não ser deixar tudo isso de lado e partir, com muitos projetos tomando forma. E é uma conquista tão minha, tão batalhada, tão querida. Hoje, após enfrentar uma pequena decepção, o que não saía da minha cabeça era como tudo na minha família sempre foi tão lutado, sofrido. Sabe quando a gente ouve aquelas histórias, de uma pessoa que surgiu do nada com o coelho dentro da cartola e mudou a vida de alguém, ou de um grande amor que apareceu na hora certa para tirar um coração partido da fossa? Então, isso nunca aconteceu por aqui. Todo mundo teve que aprender a sair do buraco sozinho, teve que lutar muito para às vezes nem conseguir nada, teve que se recuperar na marra e enfrentar o mundo, sem fada madrinha ou vara de condão. Nada veio de graça, e nem sei se isso é bênção ou karma.

Então uma avalanche de reflexões tomou conta de mim no meu escasso tempo livre, e os últimos dez dias foram de um pouco de respiro mental mesmo, com mais dedicação às práticas meditativas, aos estudos das ciências humanas e à joie de vivre. Não há como se apegar a qualquer forma de tristeza ou melancolia quando há um amigo querido que teve uma doença gravíssima e está longe, quando tem um louco matando crianças inocentes numa escola, quando uma menina é brutalmente assassinada por gostar de outra menina. Quando o mundo já é triste por si só, e às vezes a gente cambaleia na fé, cabula a aula de otimismo e troca o cartucho do céu de outono por tons pálidos. Quando a gente se deixa levar, mesmo sem querer. Quando a gente se permite ser fraco, sinto dizer – é bem aí que precisamos ser mais fortes. Mas a gente chega lá. Um dia de cada vez, amigos. Um dia de cada vez.


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