numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo

Minha maior alegria nos últimos dias foi começar a mexer num monte de livros antigos que temos acumulando pó nas estantes – e, através deles, remexer histórias e relembrar os mundos que eu sonhava pra mim, pra quando eu fosse “gente grande” (mundos assim, no plural). Foi uma sensação tão boa reviver tudo isso, os livros que eu carregava pra cima e pra baixo o tempo debaixo do braço. Me dei conta de que, mais do que as histórias em si, o que me encantava eram as ilustrações. Especialmentes lugares completamente diferentes do meu habitat natural. Meus refúgios favoritos, como pude constatar, eram pradarias, despidas de qualquer artifício fabricado, sem faróis, luzes, calçadas. Um retiro de silêncio, espaço para correr e se abrigar, até para brincar de noviça rebelde, algo que eu desconhecia completamente na época. Algo assim como esta imagem que encontrei hoje por aí:

Quantas vidas eu imaginei num lugar assim, tão longe da minha realidade. Quantas Nathalias eu construí nos meus contos de fada, que vivia de vestido e cantava com passarinhos num horizonte distante. Quantas histórias que eu vivi sem ter vivido – e mesmo assim foram tão reais, porque fui eu que as inventei.

Estou atravessando dias de muito silêncio e refúgio nas duas últimas semanas. E, num desses momentos, olhei para um lugar em que eu imaginava que estaria daqui a seis meses. Só que isso foi há um ano e meio. Eu pensava, nessa minha mania de ser arquiteta de novos mundos, que “daqui a dois anos, eu quero estar ali, fazendo isto, vivendo assim”. E me dei conta de que isso não vai chegar, pelo menos não agora ou daqui a seis meses. Talvez daqui a outros novos dois anos, quem sabe. Mas foi uma constatação de mais uma coisa que planejei e não aconteceu, e que eu tenho que recolher os pedaços e seguir em frente, sem rancor ou tristeza.

E quando tudo o que vem à cabeça é a frase de Amélie dizendo que os tempos estão difíceis para os sonhadores, é hora de fazer a Poliana e retrucar respondendo: posso sonhar tudo de novo e diferente, mesmo correndo o risco de me frustrar. Afinal uma qualidade dos sonhos ainda não foi tirada: de não ter limites. Porque tem outra frase batida que diz que a gente deve guardar todas as pedras no caminho para construir um castelo. E o meu vai ser no campo.

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3 Responses to “numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo”


  1. 1 Bianca Garcia março 31, 2011 às 4:35 pm

    lindo, lindo, lindo… sem tamanho.
    aí eu lembro que eu tb quero uma casa no campo. e lembrei do quanto eu gosto da letra desta música, ó:

    “eu quero uma casa no campo
    do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
    onde eu possa plantar meus amigos
    meus discos e livros
    e nada mais…”

    beijo pra vc, pessoa querida!

    =D

  2. 2 Laylah março 31, 2011 às 8:24 pm

    Inspiração.

    Você é isso hoje. E eu precisava falar, saiba você ou não.

    Obrigada, Nath!

  3. 3 Paula Tavares abril 4, 2011 às 9:22 pm

    lindo, lindo, lindo

    hoje também tô com o pensamento da Amélie….
    Você me lembrou de trazer de volta a Poliana ;)

    Bjo


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