Arquivo para março \31\UTC 2011

numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo

Minha maior alegria nos últimos dias foi começar a mexer num monte de livros antigos que temos acumulando pó nas estantes – e, através deles, remexer histórias e relembrar os mundos que eu sonhava pra mim, pra quando eu fosse “gente grande” (mundos assim, no plural). Foi uma sensação tão boa reviver tudo isso, os livros que eu carregava pra cima e pra baixo o tempo debaixo do braço. Me dei conta de que, mais do que as histórias em si, o que me encantava eram as ilustrações. Especialmentes lugares completamente diferentes do meu habitat natural. Meus refúgios favoritos, como pude constatar, eram pradarias, despidas de qualquer artifício fabricado, sem faróis, luzes, calçadas. Um retiro de silêncio, espaço para correr e se abrigar, até para brincar de noviça rebelde, algo que eu desconhecia completamente na época. Algo assim como esta imagem que encontrei hoje por aí:

Quantas vidas eu imaginei num lugar assim, tão longe da minha realidade. Quantas Nathalias eu construí nos meus contos de fada, que vivia de vestido e cantava com passarinhos num horizonte distante. Quantas histórias que eu vivi sem ter vivido – e mesmo assim foram tão reais, porque fui eu que as inventei.

Estou atravessando dias de muito silêncio e refúgio nas duas últimas semanas. E, num desses momentos, olhei para um lugar em que eu imaginava que estaria daqui a seis meses. Só que isso foi há um ano e meio. Eu pensava, nessa minha mania de ser arquiteta de novos mundos, que “daqui a dois anos, eu quero estar ali, fazendo isto, vivendo assim”. E me dei conta de que isso não vai chegar, pelo menos não agora ou daqui a seis meses. Talvez daqui a outros novos dois anos, quem sabe. Mas foi uma constatação de mais uma coisa que planejei e não aconteceu, e que eu tenho que recolher os pedaços e seguir em frente, sem rancor ou tristeza.

E quando tudo o que vem à cabeça é a frase de Amélie dizendo que os tempos estão difíceis para os sonhadores, é hora de fazer a Poliana e retrucar respondendo: posso sonhar tudo de novo e diferente, mesmo correndo o risco de me frustrar. Afinal uma qualidade dos sonhos ainda não foi tirada: de não ter limites. Porque tem outra frase batida que diz que a gente deve guardar todas as pedras no caminho para construir um castelo. E o meu vai ser no campo.

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tudo está perdido mas existem possibilidades

Um dia que amanheceu com muitos motivos para ser triste, e não foi porque o outono chegou. Porque é o início da minha estação favorita, de céu mais azul e brisa fresca, promessa de novos tempos. Encontrei meu dulce de leche favorito no mercadinho local, recebi emails queridos, propostas, afagos. Há muitas coisas a pesar no coração nos últimos tempos, minha avó que hoje completaria 90 anos e não está mais aqui, uma discussão boba que gerou um desgaste gratuito, objetivos ainda não alcançados. Mas hoje é outono e prefiro olhar o céu azul e ouvir música animadinha no repeat. E enfiar a colher bem fundo no pote que tem nome de música da Legião, sonhando com dias melhores, como Caio: que seja doce.

amor correspondido

– Porque a vida não aceita autopiedade, quem fica se fazendo de vítima… ela dá oportunidade para quem se cuida, se gosta e vai atrás. Tem que lavar o rosto e encarar tudo de frente! Aí sim as coisas começam a acontecer ao nosso redor, o mundo entra em movimento de novo.

***

E foi assim, no melhor estilo “a vida gosta de quem gosta dela”, que finalmente rolou uma breja na quinta-feira com Renata, que atende pelo mesmo apelido carinhoso que eu dentro de casa (“Naná”), tem história de vida parecida e compartilha os mesmos sonhos, desejos e anseios que eu. Foi mais uma ótima surpresa que o drops trouxe para a minha vida – uma nova amiga que me deu um sopro de esperança e alegria de viver e me provou, por a + b , que o único amor que vale a pena, mesmo quando se fala de amar a vida, é um só: amor recíproco.

todo carnaval tem seu fim

Pois chegou a hora de começar o ano de verdade, guardar os adereços carnavalescos e acessórios festivos numa caixa no armário, tirar a poeira dos cantos, ajeitar a casa.

Listas prontas de tudo para se fazer – e não se fazer também-, agenda lotada de compromissos, semana tumultuada e vida assim, respirando novos acontecimentos.

Ainda há alguns confetes esquecidos na sola dos tênis, teimando em buscar mais uma marchinha que seja cantarolada baixinho, num quase-silêncio, feito prece.

O céu de quase outono anda meio cinza, meio calado. Não grita sol nem sopra vento, ainda. E eu não sei onde estão as águas de março para fechar o verão, mas as promessas de vida eu bem sei – estão aqui, no coração. 

dream on, dream on

“Quando eu pensei na morte, eu não fiquei com saudade do que eu já tinha vivido, mas de tudo que eu ainda tinha para viver”
(no último episódio do seriado “Aline”)

Pois é assim que me sinto: tão empolgada com o futuro e apaixonada por suas mil esperanças e expectativas, que meu único medo é não ter tempo suficiente para viver tudo o que quero. Coisa mais linda, sonhar.  


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