Arquivo de dezembro \31\UTC 2010

next year

“(…) this year it seemed like getting through
was just about the hardest thing to do
but I’m not angry anymore
      
(…) but next year
I swear
I will be a better man
with a better plan of breaking out of here
but each time
I find
nothing really changes
but I still say, ‘it’s been a good year’…”

(Kevin Henry – “Next Year”)

***

a gente sempre faz mil promessas de ser uma pessoa melhor no ano novo, como se uma mudança de data no calendário pudesse de fato afetar todo nosso comportamento dali pra frente.

e, mesmo sabendo que a maior parte da listona de promessas para 2011 jamais vai se cumprir; ainda assim eu gosto muito dessa ideia de renovação unânime que atinge todos nessa época do ano. afinal, um montão de gente desejando coisas boas e emanando energia positiva só pode trazer uma coisa, né? esperança. ♥

aberta para balanço

2010 foi o ano da família – a de sangue e a de coração, aquela para a qual fui escolhida e aquela que escolhi para mim. de buscar raízes em outro continente, de encontrar forças dentro e fora. de amor, muito amor. fraterno e descompromissado, sem cobranças ou amarras, aquele que segura quando o barco vira, aquele que acolhe quando faz frio, que protege e aquece. conheci pessoas incríveis, para carregar pra vida, e através de cada uma delas aprendi a me conhecer melhor e a gostar um pouquinho mais de mim, também.

foi ano de fechar ciclos e encerrar histórias encarceradas há tempos. para, ao virar páginas, conseguir abrir espaço para escrever um montão de outras novas. 2010 foi ano de realizar sonho dourado, e também de aprender a superar obstáculos quando nem tudo que reluz é ouro (rá!). de crescer crescer crescer. profissionalmente, emocionalmente, intensamente. de montanha-russa, muitos altos e muitos baixos, oui. mas de perceber que se está indo para algum lugar, quando tudo que nos resta é ter fé e acreditar. 

para 2011 eu tenho muitos outros sonhos, guardados no coração e gravados num guardanapo que vai queimar no vento. meu peito se enche de coisas boas feito espuma, que ocupa muito espaço sem pesar. porque de uma coisa eu me dei conta, e antes tarde do que nunca: não quero mais peso sofrimento angústia obsessão buscar respostas insistir cansar arrepender. tudo o que mais quero da vida agora é leveza, chega de pesar. nos dois sentidos.

 

“(…) pra vocês e pra mim eu desejo um bom recomeço. Eu já tive tantos recomeços e sei que vocês também, que sei que às vezes a melhor coisa – a única coisa que funciona – é isso mesmo, recomeçar. Não importa agora o quanto a gente chorou, o quanto a gente bateu com a cabeça na parede, as coisas estúpidas que nós fizemos, as decisões erradas que nós tomamos. É ano novo e tem espumante e uvas e ondas e esperança e uma nova chance. Vamos tentar de novo. Vamos lembrar do que deu errado e tentar aprender e corrigir. Vamos recomeçar e torcer pra que desta vez dê certo. Mas, se não der certo de primeira, tudo bem, é só lembrar que todo dia é dia de recomeçar.”
(crtl c + ctrl v em email querido da Renata :* )

doin’ the homework

“A vida se transforma rapidamente. A vida muda num instante. Você se senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente.”
(Joan Didion, em “O ano do pensamento mágico”)

Soube deste livro através de uma matéria em que Michelle Williams contava como aprendeu a conviver com a perda de Heath Ledger. E, apesar de ainda nem tê-lo comprado, já entrou direto no topo das minhas leituras de férias, para aprender a lidar com o desapego e recomeçar de coração leve, leve.

Afinal, já dizia uma canção que ‘every new beginning comes from some other beginning’s end’. Tipo lição-de-casa, pra vida ;)

out with the old, in with the new

“A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto. Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perda de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.
(Caio Fernando Abreu, vi aqui)

  

Ouvi esse conselho de outra fonte próxima há menos de um mês, e é que o venho tentando aplicar com afinco no meu cotidiano. E por me permitir deixar as pessoas entrarem, aos 45 do segundo tempo tive uma das surpresas mais bacanas de 2010. Um sopro de esperança, de vida nova. De fé de que há muitas coisas boas por aí, prontinhas para entrarem na nossa vida, se a gente abrir espaço.

Meu grande projeto para os próximos dias não é nada napoleônico como mudar o mundo ou descobrir a América. É fazer como Caio e deixar de fingir que se arruma tudo ao redor, quando a gente sabe que, lá no fundo, tem aquela camiseta velha que a gente tem dó de jogar, aquele presente carregado de apego e lembranças, mas lembranças que ocupam um espaço que hoje em dia não faz mais sentido.

Minha meta para esta semana é arrumar o quarto e o armário, simples assim. Mas arrumar de verdade, sem engano ou auto-sabotagem. Porque, no fundo, eu bem sei que tudo que mais quero é abrir espaço para esse 2011 que, apesar de ainda nem ter chegado, já me trouxe um respiro de novas paixões e novos planos. Pode vir, ano-novo. Pode vir.

kiss and tell

– Matheus, quer guardar um beijo meu?

– Quero!

Então pressionei meus lábios contra sua palma pequenina, e lá ficou impressa uma marca de beijo cor de cereja.

Ele ficou um bom tempo andando com a mão aberta.

– Matheus, por que você tá andando com a mão assim? – pergunta Bruno, meu primo

– To guardando um beijo da Naná.

 

Muito amor, ♥ 

i wish you a merry little christmas

Minha mãe ganhou uma caixa de bombons e, ao sortear três para me dar, foram esses que vieram.

Melhor presente de natal: bons desejos para o ano novo.

E, se Forrest Gump dizia que “a vida é como uma caixa de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar”, fico feliz então de ter encontrado o que pretendo encontrar ainda muito mais em 2011: sucesso, sorte e amor. Amém :)

sin perder la ternura

– Amor, seu 2010 foi bom?

– Hmm, acho que foi…

– Mas teve grandes mudanças né? Fim de um relacionamento estável, trocar de emprego depois de seis anos, a doença da Clarinha… muitas reviravoltas.

– Ah mas eu não consigo pensar dessa forma, sabia? Parece que nada mais me afeta superlativamente. Hoje em dia já estou tão seguro de mim, de quem eu sou e do que eu gosto, que mesmo essas grandes mudanças não me abalam. Deixo a vida seguir seu curso.

***

Plano para 2011: fazer como Ti e não deixar a montanha-russa de altos e baixos da vida afetar nossa essência. Tipo Renato Russo, podem-até-maltratar-meu-coração-que-meu-espírito-ninguém-vai-conseguir-quebrar.


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