um sim, um não, uma linha reta, uma meta

“Sabe bem quem faz música que, principalmente no improviso, não se pode perder de vista a nota tônica. Ela é uma espécie de farol para quem navega na invenção musical. Sabendo onde ela está, nem o navegador mais intrépido se perde. Mas quem não sabe qual é a tônica de saída pode ter alguma dificuldade em encontrá-la. E só a identificar mais tarde, quando seu improviso desorientado já tiver se destroçado contra os corais.”
(Luis Fernando Veríssimo, em trecho de “Procurando a tônica” – caderno 2 do Estadão de 18/11/2010)

Outro dia a terapeuta me perguntou se eu me sentia frustrada porque eu não havia alcançado um status na minha vida profissional que eu achava que já teria conseguido quando estivesse com 26 anos. E eu respondi que não, porque pra dizer a bem da verdade… eu nunca soube exatamente aonde eu queria chegar, entendem? Lembro quando o professor de marketing perguntava aonde nos víamos dali a 10 anos, “porque tínhamos que ter isso como base para alcançar nossos objetivos”, e eu nunca soube responder. Sabia que queria ser super viajada, morar fora, falar várias línguas, ter amigos ao redor do mundo, aquela coisa toda sobre a qual já falei aqui várias e várias vezes. Mas nunca nada muito específico.

Logo que voltei de viagem, estava conversando com um amigo sobre como era angustiante me sentir perdida e ele me disse que estava assim há um ano, mas que quando ele percebeu o que de fato queria fazer da vida dele, as coisas finalmente começaram a acontecer. Até que, há pouco tempo, me caiu uma ficha e eu enxerguei muito claramente tudo o que eu queria para mim dali em diante. E, de fato, parece que tudo começou a se encaixar. Hoje escrevi um email para uma pessoa muito importante para mim neste processo e disse a ela que, pela primeira vez na minha vida “profissional”, sinto que estou no caminho certo. E por mais que as coisas não estejam acontecendo na velocidade de desenho animado que minha ansiedade crônica queria que elas acontecessem, pelo menos sinto que, mais cedo ou mais tarde, vou chegar lá.

Por isso esse texto do Veríssimo me chamou tanto a atenção dia desses: para não deixar que a nossa tônica escape por entre os dedos, para ter um farol. E a frase que dá título a este post, a tal “fórmula da felicidade” de Nietzsche, já dá todas as coordenadas: ter claro o que se busca, o que não se quer, ter um objetivo e saber o caminho para chegar lá. Acho que estou bem orientada.

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5 Responses to “um sim, um não, uma linha reta, uma meta”


  1. 1 Stael Guimarães novembro 20, 2010 às 8:08 pm

    É incrível como algumas coisas fazem sentido em determinada hora que lemos. Sigo o seu blog a algum tempo e sempre gosto do que você escreve e nesse post então fiquei boba o tanto que eu me identifiquei com ele. Eu estou procurando a minha tônica dizendo assim. E uma vez na minha vida eu me senti no caminho certo também, quando desisti do meu curso (Direito ) e aqui estou no cursinho começando tudo de novo. Agora ainda não sei o que fazer mas sei lá estou a procura. Obrigada pelo que escreve , me ajuda bastante a refletir nas minhas escolhas e nas minhas decisões. Um abraço.

  2. 2 Andréia Brasil novembro 22, 2010 às 12:44 pm

    ai, que eu quero um farol pra mim… o meu se apagou há algum tempo e acho que é por isso que estou meio desnorteada desde então. espero, assim como você, encontrar de novo minha tônica.
    beijo

  3. 3 Stéfanni novembro 22, 2010 às 7:23 pm

    Nossa, você consegue abordar até mesmo as coisas mais angustiantes da vida com uma leveza e simpatia! quarta-feira agora farei 19 anos … e ainda me sinto perdida quanto ao meu futuro. Mas, sinto luzes de um farol distante chegando…

    Abraços!

  4. 4 Ju novembro 24, 2010 às 12:22 pm

    ahhhhhhhhhhhhhhhhhh chiqueeeeeeeeeeeee!
    assiste o filme sim, vc vai gostar, é bem romantiquinho!
    ano que vem vou fazer o possível pra passar por verona!
    =)
    bacci

  5. 5 nath novembro 24, 2010 às 11:08 pm

    tenho as leitoras maaais queridas!
    beijocas em todas e super obrigada pelo carinho,
    ;*


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