Arquivo para novembro \24\UTC 2010

amour un jour, amour toujours, bonjour!

estou no meu inferno astral, mas isso não se traduz em incidentes ou coisas dando errado, como outrora. na verdade este ano ele veio como um momento muito intenso e profundo de transformação. e tem sido uma mudança tão íntima que tenho falado só quando é hora, degustando os momentos de silêncio, aproveitando para observar tudo ao redor. “momento de revisão das ideias”, como sugeriu o zodíaco. então, melhor do que vir aqui sem nada para dizer é ficar calada mesmo. me sinto mais forte a cada dia e tenho a certeza de que muito em breve terei um mundo de coisas novas e boas para dividir com vocês. mas agora é hora de fazer faxina e limpar as casa para os novos convidados. que venham os 26 e 2011, cheios de novas possibilidades ;~

‘you have a choice to be happy or sad and I choose to be happy, and I am happy’
(do filme-fofito ‘the tree’, tou louca pra ver!)

ps: o título é frase de um outro filme que vi hoje, e significa ‘amor um dia, amor sempre, bom dia!’. para celebrar a entrada do amor em nossas vidas, todos os dias :)

um sim, um não, uma linha reta, uma meta

“Sabe bem quem faz música que, principalmente no improviso, não se pode perder de vista a nota tônica. Ela é uma espécie de farol para quem navega na invenção musical. Sabendo onde ela está, nem o navegador mais intrépido se perde. Mas quem não sabe qual é a tônica de saída pode ter alguma dificuldade em encontrá-la. E só a identificar mais tarde, quando seu improviso desorientado já tiver se destroçado contra os corais.”
(Luis Fernando Veríssimo, em trecho de “Procurando a tônica” – caderno 2 do Estadão de 18/11/2010)

Outro dia a terapeuta me perguntou se eu me sentia frustrada porque eu não havia alcançado um status na minha vida profissional que eu achava que já teria conseguido quando estivesse com 26 anos. E eu respondi que não, porque pra dizer a bem da verdade… eu nunca soube exatamente aonde eu queria chegar, entendem? Lembro quando o professor de marketing perguntava aonde nos víamos dali a 10 anos, “porque tínhamos que ter isso como base para alcançar nossos objetivos”, e eu nunca soube responder. Sabia que queria ser super viajada, morar fora, falar várias línguas, ter amigos ao redor do mundo, aquela coisa toda sobre a qual já falei aqui várias e várias vezes. Mas nunca nada muito específico.

Logo que voltei de viagem, estava conversando com um amigo sobre como era angustiante me sentir perdida e ele me disse que estava assim há um ano, mas que quando ele percebeu o que de fato queria fazer da vida dele, as coisas finalmente começaram a acontecer. Até que, há pouco tempo, me caiu uma ficha e eu enxerguei muito claramente tudo o que eu queria para mim dali em diante. E, de fato, parece que tudo começou a se encaixar. Hoje escrevi um email para uma pessoa muito importante para mim neste processo e disse a ela que, pela primeira vez na minha vida “profissional”, sinto que estou no caminho certo. E por mais que as coisas não estejam acontecendo na velocidade de desenho animado que minha ansiedade crônica queria que elas acontecessem, pelo menos sinto que, mais cedo ou mais tarde, vou chegar lá.

Por isso esse texto do Veríssimo me chamou tanto a atenção dia desses: para não deixar que a nossa tônica escape por entre os dedos, para ter um farol. E a frase que dá título a este post, a tal “fórmula da felicidade” de Nietzsche, já dá todas as coordenadas: ter claro o que se busca, o que não se quer, ter um objetivo e saber o caminho para chegar lá. Acho que estou bem orientada.

automatic lover

uma vez uma amiga me disse que não acreditava no “cara certo”, mas sim que havia um cara certo para cada momento da nossa vida.

para quem tem sorte, é a mesma pessoa a vida toda, que cresce, evolui e amadurece junto.

para nós, pobres mortais, essa pessoa vai mudando ao longo dos anos.

dia desses disse isso para outra amiga, mas refletindo que, quanto mais o tempo passa, mais eu acredito que isso não seja válido só para companheiros, e sim para todas as pessoas que nos cercam e fazem parte de algum momento da nossa existência. amigos, parceiros, colegas, sócios. minha principal tarefa no momento é exatamente esse processo de “corte e edição”, de aprender a selecionar quem ainda tem algo a me acrescentar e quem, embora eu ainda ame, simplesmente não cabe mais no meu contexto atual.

hoje alguém me disse que talvez meu maior problema ainda seja cultivar o desapego. que eu deveria superar essa criação feminina de sempre cuidar da casa e das bonecas e fazer mais como os homens: deixar a bola rolar e se perder, racionalizar.

tenho plena consciência de que não quero me tornar um XY e que, para o bem e para o mal, sou mole feito manteiga derretida. mas a única coisa que não sai da minha cabeça nos últimos dias é “jesus, como dói ter um coração”.

 

vivendo e aprendendo

você percebe que mudou seus parâmetros quando pula a parte de “amor” no seu horóscopo e corre direto para ver quais as perspectivas financeiras e profissionais para o próximo mês.

a insustentável leveza do ser

enquanto todos os que vêm aqui sempre dizem que tenho “uma maneira ótima de encarar o mundo, super leve”, o que carrego dentro do peito é um peso enorme, feito aqueles prisioneiros de outros tempos, arrastando uma bola de chumbo no pé para lá e para cá, para não fugir, não escapar. com exceção de que a minha fui eu mesma que coloquei e, não conseguindo mais tirar por esforço próprio, precisei de ajuda externa.

e em todo esse nosso processo de evolução para viver uma vida mais digna, eu me vi escolhendo agora os caminhos que de fato talvez me levem a ser essa pessoa que busco ser – serena, tranquila, com paz de espírito e foco, principalmente para distribuir o amor que tanto tenho e me é tão caro. difícil sempre, mas dizem que os resultados valem a pena. tou pagando pra ver.

“sempre tenho a estranha sensação, embora tudo tenha mudado e eu esteja muito bem agora, de que este dia ainda continua o mesmo, como um relógio enguiçado preso no mesmo momento – aquele.”
(clarice lispector)

borboletas no estômago

não sei se foi a entrada de mercúrio em sagitário, proteção divina, destino ou fé, só sei que há uma semana aconteceu tipo um big bang interno e agora tem mil coisas acontecendo na vida, tudo-ao-mesmo-tempo-agora. esta semana tive que, de fato, respirar fundo para não surtar, colocar os pés pra cima e a coluna no lugar. noites bem dormidas, cansadas mas com sensação de missão cumprida. muitos dos projetos a que me propus este ano resolveram acontecer agora, aos 45 do segundo tempo, para ver se até 2011 ainda dá pé. e eu, que não via a hora de virar a página e que mesmo dois meses antes do meu aniversário já vinha dizendo que “tenho 26”, agora quero mais é segurar bem firme os ponteiros do relógio, para que haja muito tempo ainda para se realizar tudo o que se quer.

como previu minha amiga há alguns meses, é muito bom ter borboletas saltitando na barriga, de a única coisa a se saber do amanhã é que ele é um dia novo a se viver, cheio de possibilidades.

hoje a minha vida tem futuro. e cá estou eu, no ar, antes de mergulhar :)

 

sobre encontros e desencontros e reencontros

“Naquela noite, eu fiquei pensando no tempo. Cada segundo de nossas vidas é controlado pelo destino? Ou a vida é uma série de eventos aleatórios? Se eu não estivesse sempre dez minutos atrasada, minha vida seria totalmente diferente?”
(‘the big time’, in “sex and the city”)

Dia desses, num email para uma pessoa importante que não vejo há tempos, eu disse: “um dia a gente se tromba por aí, afinal São Paulo é grande mas nem tanto, né?”. Mas só depois de ter enviado é que me dei conta de que não é o tamanho da cidade que faz os encontros ou desencontros, e sim o tal destino. Ou os eventos aleatórios mesmo, conforme se questionou Carrie Bradshaw.

Fiquei pensando em todas as pessoas que já fizeram parte da minha vida. Tanta gente que eu nunca mais vi… pessoas que significavam o mundo para mim, e foram se esvaindo até virar pó na brisa da tarde, e eu jamais tive notícias. E olha que algumas moram a apenas alguns quarteirões!

Então no sábado, numa festa com mais de 2mil convidados, eu encontrei alguém que queria ver faz muito tempo. Amigo querido que, por causa da tal correria maluca da nossa sociedade contemporânea (blergh), eu quase nunca encontro. Com tanta gente ao redor, a chance de trombarmos era quase nula, e mesmo assim aconteceu. Na pista de dança. Ele estava ao meu lado.

Considero todos que cruzam meu caminho como professores, como disse Julia Roberts no fim do filme. E um desses professores, semana passada, me disse que absolutamente nada acontece por acaso. Por isso, Carrie, eu me recuso a acreditar na tal “série de eventos aleatórios”. Afinal, ninguém quer crer que sua vida é uma sequência de ações randômicas, né? Mais reconfortante pensar que em tudo existe um porquê. Mesmo que, na maioria das vezes, ele permaneça para sempre um grande mistério.


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