Arquivo para outubro \30\UTC 2010

comer, rezar, concluir

(do filme ‘eat pray love’)

 

super me identifiquei.

quando tudo está perdido

conversando com nêgo segunda à noite:

“amor, eu sou uma farsa, sabe… vivo divagando sobre esperança e superação, mas a verdade-verdadeira é que eu mesma não boto mais fé em nada disso. não acredito mais que vou ter um emprego que me transformará em uma profissional realizada logo, não acho que um cara incrível vá aparecer do nada e me fazer ter de novo um grande amor, não consigo mais confiar que meu pai vai ter a promoção tão merecida no trabalho… tudo na nossa vida é tão lutado, sofrido e batalhado que eu fiquei cansada até de ter fé, é tão desgastante…! nunca nada veio de graça pra gente, então eu simplesmente perdi as esperanças de que algo assim possa acontecer. e beleza, bola pra frente, c’est la vie. até porque, se algo surpreendente de fato resolver acontecer, vai me pegar tão desprevenida que vai ser até melhor, né?”

otimismo até no pessimismo, bem-vindos ao meu mundo.

é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê

ao encontrar uma amiga que, há dois meses, terminou um relacionamento de quatro anos:

– mas vocês formavam um casal tão bacana… por que você não quis mais?

– porque eu sabia que eu poderia ser mais feliz do que eu estava sendo.

***

uma pessoa muito importante para mim me escreveu na semana passada: “admiro todo mundo que sabe dar um passo pra trás e ver que a gente pode ter uma vida mais bacana e sincera do que a gente vê em média por aí”.

e eu lhe disse que essas pessoas, que são capazes de terminar um relacionamento longo, largar emprego estável ou sair da zona de conforto porque sabem que merecem algo maior também são algumas das que mais me fascinam no mundo. qualquer um capaz de superar a mediocridade alheia e ir atrás de algo em que acredita é digno de admiração.

porque olha, não é mesmo para qualquer um não, viu. hay que tener fuerza.

quieta como uma xícara

mamis me sugeriu passar uma semana sozinha na praia, como já fiz certa vez, para colocar ideias em ordem. mas faz mais de ano que tudo o que sei é ficar só, e ando tão insuportável de uns tempos pra cá que a última pessoa com a qual eu quero conviver no mundo sou eu. superclichê, mas o que eu queria mesmo era poder tirar férias de mim mesma (rá!)

(o pior de tudo é que, quando fui procurar esse post antigo dessas outras férias para colocar o link aqui, eu o achei muito singelo e bonito, modéstia à parte. e ao invés de querer ficar longe de mim, eu senti é falta dessa nathalia que eu era antes, dessa poesia e apetite de viver; e troquei o abuso pela saudade de mim mesma. eita coração que nunca tá satisfeito, né?)

i believe in a thing called love

pela manhã, no jornal diário:

“(…) porque eu sou casado há doze anos e estou a cada dia mais apaixonado pela minha mulher e pelo meu filho.”

 

no almoço, com nova amiga:

– me casei aos 19 anos.

– nossa, que bacana! mas por que tão nova?!

– não sei… quando o conheci eu soube na hora que ele era o cara certo. estamos juntos há doze anos.

 

à noite, em email querido:

“(…) ultimamente estou mais apaixonado do que nunca. por mais que esteja numa relação de 6 anos, me sinto na 1ª semana de namoro, só que melhor, com intimidade, reciprocidade e segurança total. a gente está cheio de planos e numa sintonia incrível…”

***

então é isso. quando a gente está um pouco descrente de tudo, vem o universo conversar e, num mesmo dia, me dar três exemplos de que sim, o amor ainda existe, pode dar muito certo e continua lindo, lindo. ainda bem.

 

home sweet home

O Tatuapé é um bairro bem provinciano. Minha mãe e minha madrinha cresceram aqui, e meu avô é praticamente um dos fundadores do bairro, citado nas revistinhas locais que contam a história da região, lembrado pelos moradores. Mamis contava que, quando criança, não gostava de andar com ele pelas calçadas porque ele parava de metro em metro para papear com alguém. Eu também odiava isso, nela e nele, quando pimpolha. Porque sempre aparecia alguém que eu nunca havia visto na vida para apertar minhas bochechas e salientar como eu havia crescido, ohmeupai. E minha mãe morou praticamente a vida toda aqui. Mudou-se apenas quando se casou com meu pai; compraram um apartamento em Santo Amaro e lá ficaram por nove anos. Mas, como boa filha que é, à sua casa retornou. E eu vivi um terço da minha vida lá, e dois aqui.

Quando me mudei para cá, todos diziam que o Tatuapé tinha espaço para crescer. Claro que tinha: só havia casas! Não havia muitos prédios, nem sequer um supermercado, a oferta de escolas de inglês e lojas era bem escassa e o shopping center mais próximo era a dois bairros de distância. Mas ele foi crescendo, e eu fui junto. Primeiro um shopping pequeno aqui, depois um hipermercado acolá, e por aí vai. Eu morei, de 92 a 2000, numa vilinha bem pequena, onde aprendi a andar de patins e bicicleta na rua, onde fiz um monte de amiguinhos, onde tinha festa junina com fogueira e guloseimas típicas todo mês de junho, onde levei muito tombo e aprendi a me reerguer, onde vivi grande parte da minha infância. E, desde 2000, moro em outra rua pequena, perto de uma pracinha, um buffet e uma antiga fábrica de tapetes.

Com o tempo, meu padrinho faleceu, minha avó se foi, meu avô acompanhou. Mas a gente ficou. E o Anália Franco virou lugar de novo-rico, e hoje tem um je ne sais quoi dizer que se mora no Tatuapé, como se os moradores daqui fizessem questão dessa nova importância adquirida pelo bairro. Pois não fazem, eu não faço. Apesar de achar que há um milhão de coisas a serem melhoradas, e de ter pavor de pegar a Radial Leste no horário de pico, me conforta saber que tenho meus amigos de infância sempre a poucas quadras de distância, que visitarei meu colégio do 1º grau de dois em dois anos porque é nele que eu escolhi votar, que meus casinhos adolescentes estão sempre a um virar de esquina (apesar de raramente cruzar com um deles), que na hora do almoço as ruas têm cheiro de cebola refogando e feijão cozinhando, que tenho sempre tudo na palma da mão e que, para o bem ou para o mal, quem cumprimenta todos aonde vai hoje em dia sou eu. E ontem, quando eu fui comprar uma nova erva para um chá numa casa natural que eu nunca tinha ido, um senhor muito simpático, na falta de troco, disse que eu poderia passar outro dia lá e pagar, simples assim, sem nunca ter me visto na vida. E eu posso não conhecer muitos lugares no mundo, mas sei que isso não aconteceria com facilidade em qualquer outro canto. Porque aqui a gente confia nas pessoas, e recebe de braços abertos novos moradores e visitantes, e porque vendedores passam de carro com alto-falantes na rua, oferecendo frutas e pães, feito cidade do interior. Porque eu posso reclamar sim de um monte de coisas. Mas não há nada como se sentir em casa.

***

escrevi esse texto há quatro anos, quando o drops ficava no outro domínio ainda. mas hoje me deu vontade de publicá-lo de novo, porque eu acordei às 8h com a ana maria braga gravando seu especial de aniversário aqui, na praça sílvio romero, lugar que já cruzei inúmeras vezes e guarda tantas lembranças queridas.

o que mudou desde que eu publiquei esse texto pela primeira vez é que, vá, hoje até que já conheço bem mais lugares no mundo. mas essa sensação de se sentir em casa aqui, isso continua igual.

filha de peixe 2

eu e meu pai passeando no shopping, numa loja de departamentos, enquanto eu procurava uma saia de renda, esperando dar o horário para ir ao cinema:

“sabe, eu acho que você não pode ficar comprando essas roupas assim baratas e ruins… porque eu sempre digo para a sua mãe que a filosofia da prosperidade nos aconselha a buscar sempre o melhor, o mais bonito, de maior qualidade. nunca se contentar com pouco – só assim a gente alcança o sucesso.”

morri. 

<3


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