não aprendi a dizer adeus

“Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais – por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia – qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.”
(Caio Fernando Abreu)

***

Diálogo:

– … hmm, bom retorno ao Brasil então. Mas você quer mesmo voltar?

– Sim, eu quero!

– … não sei, mas algo me diz que, no fundo, você não quer. Minha intuição me diz que você vai ficar aqui, na Europa.

(ainda naquele encontro)

 

Ela acabou não acertando porque eu voltei. Mas eu tenho uma coleção tão grande de não-adeus nos meus caderninhos da vida que eu sempre acho que, de uma forma ou de outra, eu acabo mesmo deixando uma parte minha para trás.

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1 Response to “não aprendi a dizer adeus”


  1. 1 Andréia Brasil setembro 23, 2010 às 3:39 pm

    ah, não dizem que a gente sempre deixa um pedaço de nós por onde passa? sorte daqueles que guardam consigo um tiquinho dessa sua delicadeza. beijo


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