i’m lost but i’m hopeful

Eu tenho mania de achar que tudo é um sinal na minha vida. TUDO. Que um arco-íris quer dizer que vai ficar tudo bem, que Caio ter escrito sua última carta de Paris no mesmo 28 de abril em que eu chegaria lá prenunciava uma boa estadia, que eu cruzar com uma placa randômica de algum evento histórico parisiense que aconteceu num 20 de agosto de algum ano perdido sinalizava que eu tinha tomado a decisão certa em voltar para o Brasil (porque eu tinha escolhido esta mesma data, sem querer). E eu tenho uma coleção de sinais assim, outros muito mais signficativos, até. Que eu só escrevo no meu moleskine roxinho e acabo nem contando a ninguém, porque o que para os outros pode parecer besteira ou filosofia barata, para mim faz todo o sentido do mundo.

Mas o mais maluco de todos nem foi com datas, apesar de eu ser meio obsessiva com elas: foi um recado que eu recebi numa revista, ainda em Paris, sobre o local friend. E foi tão absurdo que até o pai da Alice (amiga querida e criadora do projeto), quando soube, disse: “não, não é que o cosmos está conversando com você – ele está te chacoalhando e dizendo, ‘Nathalia, acorda, você tem que fazer isso!'”. E eu fiz. E agora tudo de bacana que está acontecendo na minha vida desde que voltei de fato tem a ver com isso.

Tenho um complexo leonino de achar que o mundo se importa comigo e que o universo fica, de fato, me enviando mensagens codificadas desta maneira, para que eu tente enxergar qual caminho seguir, para qual lado devo ir, qual decisão tomar. Incrível como a nossa fé tem uma maneira toda particular de funcionar quando a gente se sente perdida, não?!

“(…) A nossa vida cotidiana é sempre bombardeada pelos acasos, mais exatamente por encontros fortuitos entre as pessoas e os acontecimentos, ou seja, por aquilo a que costuma chamar-se “coincidências” . Há uma coincidência quando dois acontecimentos inesperados se produzem ao mesmo tempo, quando se encontram um com o outro: por exemplo, Tomas aparece no restaurante precisamente no momento em que a rádio toca Beethoven. Na sua imensa maioria, este tipo de coincidência passa totalmente despercebido. Se o homem do talho tivesse vindo sentar-se a uma mesa do restaurante em vez de Tomas, Tereza não teria reparado que a rádio tocava Beethoven (embora o encontro de Beethoven com um homem do talho também não deixe de ser uma coincidência interessante). Mas o amor que nascia aguçou-lhe o sentido da beleza e, por isso, nunca mais esquecerá essa música. Sempre que a ouvir, se sentirá comovida. Tudo o que se passar à sua volta nesse instante ficará aureolado com o brilho dessa música e será belo.
(…) Não há, portanto, razão nenhuma para censurar aos romances o seu fascínio pelos misteriosos cruzamentos dos acasos (…), mas há boas razões para censurar o homem por ser cego a esses acasos na sua vida cotidiana e assim privar a vida da sua dimensão de beleza.”
(“A insustentável leveza do ser”, Milan Kundera)

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6 Responses to “i’m lost but i’m hopeful”


  1. 1 Lubi setembro 21, 2010 às 2:53 pm

    e tem graça viver sem achar que o universo nos olha e nos cuida? não.

    <3

    bonito post.

    beijos.

  2. 3 adri setembro 22, 2010 às 12:57 am

    Tbm sou leonina e tenho essa mania de achar que o universo se importa um pouquinho comigo, me protege e me manda mensagens codificadas para descomplicar um pouquinho a vida, e as indecisões todas que teoricamente são atípicas aos leoninos.

    Nati, faz muuuito tempo que não comento aqui, mas leio teu blog desde que o template era branco e verdinho água, com uma foto de bebezinhos gorduchos no header. Sempre me identifiquei com muitos dos teus posts, posso dizer que “crescemos juntas”, já que temos mais ou menos a mesma idade e fui acompanhando as mudanças na tua vida, enquanto ia lidando com as que aconteciam na minha. Isso cria um laço tão bacana, né? (agora tu sabe dele… heheh).

    É bom perceber que, apesar dos quase dez (!!!) anos* que se passaram desde que conheci teu blog, ambas continuamos acreditando na vida, no universo, nas pessoas, e na doçura dos dias.

    bjs!

    *qnd abandonaste o outro blog, achei que não estavas escrevendo mais. Só fui achar esse blog aqui qnd ele foi citado no “Dont touch my moleskine” ou “Já matei por menos”, eu acho.

    • 4 nath setembro 22, 2010 às 3:24 pm

      poxa, que comentário bacana!

      ter alguém aqui que me acompanha há taaanto tempo, :)))

      vou te responder tudo direitinho por email, mas só dois esclarecimentos:

      – eu não sou leonina! sou sagitariana de fé, ;]
      (mas adoro brincar com as características dos signos, tipo o egocentrismo exagerado dos leoninos)

      – não fui eu que abandonei o weblogger! foi ele que me abandonou e encerrrou as atividades, então tive que procurar outra “casa” para morar, :}

      beijocas e obrigada pelo carinho,
      nath
      ;*

  3. 5 Andréia Brasil setembro 22, 2010 às 6:50 pm

    eu tenho dessas de acreditar em sinais também. ultimamente, eles vêm nos muros pichados que encontro por São Paulo.
    beijos


  1. 1 i believe in a thing called love « drops de anis Trackback em outubro 19, 2010 às 12:11 pm

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