para ver a banda passar

Dia desses, no meio dos montes de filmes que as horas de ócio me permitem assistir, me deparei com “A Banda”, no tc cult. E me deu vontade de comentar, porque é tão o meu tipo favorito de filme. Sem grandes pretensões de um um amor épico ou uma história heróica e supervalorizada (das quais eu tenho um pouco de preguiça, na verdade), o filme faz um recorte de um dia na vida de uma banda da polícia egípcia que se perde num contratempo no meio de uma viagem para fazer um show. Uma história banal, mas contada de um jeito tão, tão bonito. A graça vem exatamente quando, por forças do destino, a banda fica presa numa cidadezinha israelense no meio do nada, e em como essa chegada afeta a vida de alguns habitantes locais. Sou fascinada por esse tipo de história, de como um simples encontro corriqueiro pode afetar nossa vã existência, trazendo apenas um sorriso extra no fim do dia, ou de fato mudando nossa perspectiva em relação a alguma coisa. Fora que os atores têm uma atuação impecável, a trilha sonora é ótima e a fotografia uma coisa de linda.

Outro dia alguém veio me falar que prefere os cariocas que os paulistas, porque os primeiros são mais falantes e abertos; enquanto nós, no meio da selva de pedra, somos mais reservados e não fazemos amizades na fila do supermercado. E fiquei triste de perceber como a tal “cidade grande” nos deixa amendrotados, duros e inseguros, sempre esperando um assalto na próxima esquina, não nos dando liberdade de olhar duas vezes no olho de alguém, começar um papo sobre a chuva que não chega e, se não ganhar um amigo, pelo menos tornar a espera pelo ônibus um pouco menos chata. Endurecer, sin perder la ternura. Tarefa cada dia mais difícil.

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2 Responses to “para ver a banda passar”


  1. 1 Elvira setembro 13, 2010 às 10:14 pm

    Assisti esse filme no cinema e achei delicioso…

    Bjs.
    Elvira

    http://evipensieri.wordpress.com/

  2. 2 Bianca Garcia outubro 6, 2010 às 11:22 am

    Eu assisti a esse filme há muito tempo, dois anos talvez… Eu adorei, mais ainda quando, na sala de cinema, descobri que só havia eu. Um filme realmente desprentensioso e talvez por isso mesmo seja um filme tão bom.
    É daqueles filmes que fazem valer muito a pena (ainda) ir ao cinema.

    Dia desses assisti a outro filme “Almas à venda” e adorei também, ficou pouco tempo em cartaz e somente em uma sala aqui em Brasília. Uma pena.

    Beijo!


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