i want a little sugar in my bowl

“(…) Crescer significa assumir as consequências das próprias escolhas [e desescolhas]. Significa que já não há mais quem segure as pontas se algo der errado, porque dores são intransferíveis e frustrações não se derretem como algodão doce na boca. Os limites estão todos lá e fomos nós mesmos que os colocamos.

Crescer implica enfrentar riscos, quebrar a cara, ser preterido seja no amor, no emprego, na amizade. E levantar a cabeça e começar de novo quantas vezes for necessário, pois não há mais tempo para mergulhar no quarto escuro e esperar que alguém resolva tudo. A decisão de acender a luz, abrir a cortina e perceber que os sapos continuam esperando a hora de ser engolidos depende de cada um. Cadê a segurança total e absoluta que estava aqui? O tempo comeu, amigo.”
(Naty, xará mais-que-querida, aqui)

 

Tantas, mas tantas vezes eu quis dormir neste tal quarto escuro, esperando o tempo fazer sua parte para cicatrizar feridas, acordar dali a cinco anos, linda e loira. Perdi as contas dos dias em que de fato o fiz, e me escondi debaixo do edredom quietinha, em posição fetal, e dormi por toda uma tarde, uma semana em silêncio, para que ninguém percebesse que eu não só estava em casa como estava querendo desaparecer debaixo das cobertas.

Mas né, quando a gente se empurra pra fora do casulo, a vida trata de nos empurrar pra frente. Quem não aprende por bem aprende por mal, na marra mesmo, com focinhadas na cara e tudo, quando não há jeito. Eu aprendi num dia chuvoso e frio de uma primavera parisiense em que se eu não enfrentasse a fila do mercado, eu não teria nada para comer. E foi assim, pouco a pouco, que eu consegui enxergar as flores que tentavam colorir o jardim da minha casa, anunciando o início do verão, tímido mas pontual.

Como o meu café, que eu não adoçava porque não gostava de açúcar em torrões: em Paris, tive que me acostumar a beber puro, amargo e forte. E também foi assim minha volta por cima: sem meias-palavras, facilitadores ou colher de mel. Mas eficaz, para fazer levantar e enfrentar o mundo, como cafeína. Funcionou.

 

“I had a choice. I could leave the runway and let my inner model die of shame, or I could pick myself up, flaws and all, and finish. And that’s just what I did. Because when real people fall down in life, they get right back up and keep on walking.”
(“The real me” episode, in “Sex and the city”)

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3 Responses to “i want a little sugar in my bowl”


  1. 1 Fabi setembro 11, 2010 às 6:34 pm

    Nath! Li esse texto hoje, acredita?
    Sintonia incível que tenho contigo!
    E sobre crescer..pero sin perder la ternura jamás!
    =*

  2. 2 Andreia setembro 12, 2010 às 8:07 am

    Ai Nath…
    Nem sei o que dizer,sabes? Estou ainda aqui de lágrimas a escorrer…
    Já saí debaixo das cobertas, mas ainda preciso de aprender a tomar o café, forte sem açúcar. E a ler essas coisas, fico com mais alento para ir tentando tomá-lo – um por dia, até que hábito se instale de vez :)

    Bj

  3. 3 nana setembro 13, 2010 às 8:52 am

    ai nath, um dia vc me mata!
    beijos


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