castelos de areia

“Meu coração tá ferido de amar errado. (…) Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém.”
(Caio Fernando Abreu)

Tenho essa mania besta de sempre criar platonices aleatórias. Me apaixono pela flor que teima em nascer no asfalto quente da calçada; pelos pingos de chuva que correm soltos pela janela, solidários à minha melancolia; pelo moço bonito que tem fones de ouvido e lê um livro distraído no canto do vagão do metrô, e sequer notou minha presença.

Minha última platonice foi Paris, foi achar que iria amá-la loucamente e que viveríamos felizes-para-sempre. Mas, como todo bom amor platônico, quando se concretiza em relacionamento não é bem como imaginamos. Tem o mau humor matinal, desentendimentos corriqueiros por causa da louça na pia e uma leve decepção quando descobrimos para que time a pessoa torce. Com Paris, foi o excesso de imigrantes e mendigos, o preço abusivo de tudo, certas características culturais dos franceses e o fato de que não me senti “em casa”, como me sentia em Londres, por exemplo.

Mas é isso, né, bola pra frente, “c’est la vie”. Vamos fazer a mala e get over it. Tudo serve de experiência nesta vida, histórias para contar para os netos, coisa e tal. Meu próximo destino agora é perto das pessoas que eu amo. E, se eu pudesse escolher apenas uma lição para tirar desses últimos três meses, ela seria a seguinte: contrariando o que pensei minha vida toda, a felicidade não está em “morar fora” e ganhar o mundo. Ela está dentro de mim e aonde eu estiver disposta a encontrá-la. Pode parecer meio óbvio para alguns, mas acreditem: eu tive que cruzar um oceano – pela segunda vez – para perceber isso. 

E se Pessoa dizia que “tudo-vale-a-pena-se-a-alma-não-é-pequena”, cheguei à conclusão de que a minha deve ser bem das grandes. Porque olha, haja tamanho e disposição para transformar tantas pequenices em experiência de vida, viu.

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5 Responses to “castelos de areia”


  1. 1 vanessa julho 20, 2010 às 11:30 am

    Já acreditei muito que a felicidade plena seria morando fora do país! é bacana..mais me sinto muito mais plena por aqui!! as vezes me pego nos meus planos mirabolantes de morar fora novamente…mais daí lembro q foi bom, mais não “the best”, sabe?

  2. 2 Marina julho 28, 2010 às 1:22 pm

    Amiga, é tão isso o que você disse. A gente tem mania de projetar os sonhos a longo prazo, ou até pra sempre. “Para ser feliz, tenho de ser assim, viver naquele lugar e ter aquelas experiências”. É gostoso perceber que esses elementos nada mais são que capítulos da nossa vidinha…e que nada é defitivo.
    Ansiosa pela sua volta!


  1. 1 time after time « drops de anis Trackback em abril 24, 2012 às 6:06 pm
  2. 2 olhos de jabuticaba | drops de anis Trackback em março 30, 2014 às 9:36 pm
  3. 3 um lado que pesa e um outro lado que flutua | drops de anis Trackback em maio 15, 2014 às 6:09 pm

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