com que roupa eu vou?

“(…) Ela estava sempre impecavelmente vestida, como se o lugar para onde ela estivesse indo fosse sempre o melhor lugar do mundo – mesmo quando esse lugar era apenas a mercearia da esquina.”* 

Dia desses estava lendo uma matéria numa Vogue antiga que comprei em um sebo aqui, e essa frase acima me chamou muito a atenção. Ela estava perdida no meio de um texto da seção “Nostalgia”, que contava a obsessão da autora sobre uma modelo que morava em seu prédio durante a juventude. E me peguei pensando em quanto carinho e respeito é preciso ter consigo mesma e com o resto do mundo para sempre ter tanto cuidado na hora de se vestir. Desde que li esse texto venho tentando vencer a preguiça matinal e aplicar no meu próprio dia a dia, e é incrível o que consegui fazer com um pouquinho de criatividade e inspiração – apesar do guarda-roupa superlimitado, um dos efeitos colaterais de se colocar a vida numa mala de 23kg para cruzar o Atlântico.

Lembrei de um texto das Oficinas (queridas!) e outro do minas de ouro. Compartilhei ambos em meu reader há uns meses com observações do tipo “se até Clarice Lispector se preocupava com vaidades e feminices, quem somos nós para dizer o contrário?” e “sou superpartidária desta filosofia também, que se querer bem é, de certa forma, querer bem o outro também, mostra respeito e cuidado com o mundo ao redor e influencia pessoas de maneira positiva, tipo bola de neve do bem!”. Não acho que seja frivolidade, sempre acreditei ser uma sabedoria bem aplicada – afinal, quem não quer ver o mundo todo mais bonito?

No último lugar em que trabalhei, as meninas sempre vinham me pedir dicas, só porque eu saía um pouco do lugar-comum. E olha que nem sou entendida da área nem nada, sou apenas amadora – no sentido mais puro do termo, o de amar mesmo. Porque se eu estiver me sentindo bem, isso reflete no meu dia todo – do meu humor ao sorriso com que eu recebo as pessoas. Não quero me desculpar por querer me sentir bonita, não quero parecer fútil e não quero que isso faça as pessoas pensarem que eu me importo menos com outras coisas – porque na verdade eu me importo é mais. E me importo tanto que só quero que todos ao meu redor se sintam sempre como se estivessem no melhor lugar do mundo – mesmo que seja só a mercearia da esquina.


*tradução livre dos originais em inglês

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5 Responses to “com que roupa eu vou?”


  1. 1 Camicami junho 23, 2010 às 1:25 am

    Linda Nath… Beijocas. Cami.

  2. 2 dona perfeitinha junho 23, 2010 às 3:43 pm

    Que coisa mais bonita, Nath!
    Você sempre me encanta com suas palavras, e adoro quando suas inspirações a fazem se abrir dessa forma. Gostar de coisas bonitas nos faz procurá-las e fico impressionada como sempre elas te encontram ou você a elas. Esse respeito pelo cuidado com nossa imagem para os outros é também uma busca minha constante. Quando a gente casa e tem filho, a gente não sabe se cuida primeiro da prole ou da gente mesmo, e aí a gente fica meio preocupada porque marido tá sempre vendo a ‘beleza’ sem tanta graça, rs. Pelo menos, nessas horas, rir ajuda e meia fina atrapalha, rs.
    Beijos da amiga,
    Talita.

  3. 3 Scheyla junho 24, 2010 às 10:11 am

    Nath, vou confessar que pra ficar em casa se pudesse eu ficava de pijama o dia inteiro, tenho preguiça master de me arrumar. Agora pra sair adoro caprichar, sempre dou uma “bisolhada” nas revistas, vejo as tendências, tal, mas sempre adaptando ao meu estilo. É gostar de ficar arrumada, passar uma boa impressão, cuidado pessoal..
    =**

  4. 4 Karina Schulz junho 24, 2010 às 3:03 pm

    Sim, beleza é mesmo fundamental! também gosto de escolher roupas com cuidado e misturar cores que a maioria das pessoas tem medo de colocar juntas… aí sempre acho graça quando alguém olha e olha, é legal inteferir na roina alheia… =)

  5. 5 vanessa julho 19, 2010 às 8:19 am

    Como uso uniforme ou avental em meus empregos..sinto essa necessidade de me arrumar para ir até mesmo à padaria.. e dia desses fui em um aniversario do meu sobrinho..e todos ficaram elogiando meu visual..e minha cunhada (mãe do sobrinho) disse: Meu filho merece né?!

    e na hora não “captei” o q ela disse..mais logo entendi..e ela tem razão..quem não se sente honrado com alguém indo em sua casa impecavelmente vestido?

    obrigada pelos posts sempre interessantes!


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