cores e dores da primavera

momento 1:

Estou borboletando feliz e contenta por Paris. Minha aula de francês foi ótima e sinto que o progresso na língua é significativo, já fiz amigos e está um dia lindo de primavera. Céu azul e sol, temperatura amena e eu caminhando pelo meu bairro favorito, com uma sacola de achados de brechó nas mãos, feliz, feliz. Até que vi um burburinho, numa esquina. Havia um senhorzinho no chão, tendo um espasmo ou algo assim. Uma moça tentava falar com ele e chamar uma ambulância no telefone, uma meia-dúzia de curiosos ficava ao redor xeretando sem fazer nada, e havia um sangue muito vermelho perto da cabeça dele, talvez fruto de uma batida na queda. Estava um céu gritante de azul e eu só conseguia pensar naquele sangue vermelho-valentino na calçada. Saí de perto rápido, porque nessas horas muita gente mais atrapalha do que ajuda, e vejamos, no que eu poderia ajudar anyway com meu francês precário? No restante do caminho, toda sirene de ambulância que eu ouvia passar, eu achava que estava indo lá salvar a vida dele. Peguei o primeiro metrô pra casa, chorando, em choque. Era um dia lindo de primavera e havia um senhorzinho morrendo numa calçada do Marais.

**

momento 2:

No caminho para casa, me lembrei de uma história da Ivi, que presenciou um acidente com duas velhinhas há pouco tempo. Enquanto fazia meu almoço, liguei o computador para checar emails e coisas novas, aquele piloto-automático de sempre. E resolvi passar no blog da Ivi para ver como ela estava, quando soube do seu coração partido. Acompanho desde o comecinho sua história de amor, tão linda, e foi muito triste saber do seu fim, e de como dói, meudeuscomodói. Lembrei-me da minha, também. E foi tão doído, de novo. 

Continuei a ver o que havia de novo na minha caixa de entrada, e tinha um email avisando do meu “novo trânsito astrológico”: “Nos próximos dois dias, você estará num momento particularmente vulnerável (…) Seu campo estará mais aberto, e você corre o risco de terminar absorvendo problemas e complicações que não são exatamente suas, o que pode incorrer inclusive em doenças físicas. Procure evitar o envolvimento com problemas de irmãos, amigos ou parentes próximos. Respeito a qualidade do momento e recolha-se!”

E eu, que tinha achado isso ridículo da primeira vez que li (“comassim me recolher com esse sol lindo lá fora??!”), de fato senti a necessidade de passar o resto do dia em casa, num sono profundo, chorando todo o choro que o dia não conseguiu chover pelas dores do mundo.

Anúncios

4 Responses to “cores e dores da primavera”


  1. 1 larissamargulies maio 20, 2010 às 3:59 pm

    lindo, minha gêmea ;~
    até o grifo é igual, né? ;}
    mas, realmente, aquela frase é linda (assim como seu texto).
    :*

  2. 2 nana maio 20, 2010 às 5:42 pm

    ai sagitariaaaana….

  3. 3 thebestforlast junho 1, 2010 às 12:22 am

    poucas vezes apareço, mas sao muitas aqui em Sao Paulo que tenho vontade de te dar um abraço, amiga querida. te amo.

  4. 4 Carolina junho 1, 2010 às 12:23 am

    Ah! Era eu la na mensagem, falando em nome de meu blog ainda em gestaçao… Beijinhos.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Blog Stats

  • 163,055 hits

%d blogueiros gostam disto: