Arquivo de maio \31\UTC 2010

wishing on a star

“Sempre acreditei que toda vez que a gente entra numa igreja pela primeira vez, vê uma estrela cadente ou amarra no pulso uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim, pode fazer um pedido. Ou três. Sempre faço.”
(Caio Fernando Abreu)

Eu também, Caio. Eu também.

lutando, sempre

De uma das pessoas que mais amo no mundo, por email, agora há pouco:

“(…) Por aqui, as coisas continuam indefinidas para o meu lado, mas vou continuar lutando até o fim para voltar para a minha área, pois não me conformarei em aposentar-me no esquecimento.” 

Viver não é uma escolha. Mas lutar para viver a vida que queremos é.

Ou, como diria Caio, “Desistir não é nobre. E arduamente, não desistimos.”

inspiração du jour

Tenho uma avó de criação, mãe da sócia/comadre da minha mãe, que é um exemplo de vida: perdeu uma filha, ficou viúva muito nova e já teve câncer de mama, entre outras dores. Mas faz faculdade, sabe mexer no computador (manda email e tudo!), mora sozinha, viaja, faz tudo sem ajuda, não para quieta, tem quase 90 anos e um par de olhos azul-piscina incríveis.

Fomos visitá-la antes de eu vir para cá e ela estava toda feliz e contente nos mostrando seu apartamento. “Como é bom morar sozinha! Eu sempre pensava: será que um dia vou conseguir ter meu espaço?! E agora eu tenho!”

Linda! ;*

Hoje vi esta foto e me lembrei dela.

Porque o que mais me chamou a atenção quando estive lá foi ver, num canto, uma tulipa solitária colocando um pouco de cor no balcão da cozinha.

“Porque eu tenho 88 anos mas eu ainda tenho esse gosto, sabe? De comprar uma flor e colocar dentro de um vidro velho de perfume! Só para enfeitar minha casa.”

:)

E você, o que tem feito para transformar um dia cinza em algo bonito?


*para ler ouvindo: stereomood optimistic

lição do dia

Recebi dia desses da Lu, minha ex-chefe e pessoa muito querida em minha vida, o email abaixo. Achei que vinha bem a calhar para começar bem a semana*

:)


“Na Índia, são ensinadas as ‘Quatro Leis de Espiritualidade’:

A primeira diz:
“A pessoa que vem é a pessoa certa”
Significando que ninguém entra em nossas vidas por acaso, todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.

A segunda lei diz:
“O que aconteceu? A única coisa que poderia ter acontecido

Nada, nada, absolutamente nada que nos acontece poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa …, aconteceu que um outro …”. Não! O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e aconteceu para nós aprendermos a lição e seguirmos em frente. Toda e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.

O terceiro diz:
“Toda vez que você iniciar é o momento certo”
Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que a coisas acontecem.

E o quarto e último:
“Quando algo termina, ele termina”
Simples assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa evolução, por isso é melhor sair, ir em frente, seguir adiante e se enriquecer com a experiência. Acho que não é por acaso que estão a ler isto, se este texto vem à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai sempre no lugar errado!

Viver bem o amor com toda a tua alma e ser extremamente feliz!”

*ontem foi feriado aqui, então minha semana começou hoje só!

bonjour, novos rumos

antes, a senha do meu cartão era a data em que conheci meu primeiro amor.

hoje, é a data que cheguei em paris.

***

sou super ligada em datas, e é sempre reconfortante saber que podemos, ao longo da vida, escolher momentos que simbolizam um renascimento. e que um fim nem sempre significa um fim – na maioria das vezes é só um novo começo.

 

 

comer, rezar, calar

eu passo a semana toda sassaricando por paris sozinha, depois da aula. vejo um monte de coisas muito lindas, e outras bem feias também. e em muitos, muitos momentos, me sinto muito só. lembro da carrie triste quando viu amigas dando risada juntas num restaurante, porque de fato a gente sente saudades das pessoas queridas que conhecem a nossa história, da companhia descompromissada, do afeto. eu sinto.

tento não entrar nessas de homesick porque né, a vida é tão curta, minha estadia aqui mais ainda, etc e tal. mas a verdade é que em muitos momentos eu queria ter alguém para dividir minhas impressões, para sentar comigo num café e observar o movimento da rua, para poder sair numa foto sem ter que ficar na posição constrangedora de tentar tirar sozinha ou depender da bondade alheia. não estou reclamando, sei que escolhi este caminho para mim e nele quero me manter, por um tempo. mas tem horas em que tudo o que queria era poder ficar em silêncio por opção, e não por falta de.

cores e dores da primavera

momento 1:

Estou borboletando feliz e contenta por Paris. Minha aula de francês foi ótima e sinto que o progresso na língua é significativo, já fiz amigos e está um dia lindo de primavera. Céu azul e sol, temperatura amena e eu caminhando pelo meu bairro favorito, com uma sacola de achados de brechó nas mãos, feliz, feliz. Até que vi um burburinho, numa esquina. Havia um senhorzinho no chão, tendo um espasmo ou algo assim. Uma moça tentava falar com ele e chamar uma ambulância no telefone, uma meia-dúzia de curiosos ficava ao redor xeretando sem fazer nada, e havia um sangue muito vermelho perto da cabeça dele, talvez fruto de uma batida na queda. Estava um céu gritante de azul e eu só conseguia pensar naquele sangue vermelho-valentino na calçada. Saí de perto rápido, porque nessas horas muita gente mais atrapalha do que ajuda, e vejamos, no que eu poderia ajudar anyway com meu francês precário? No restante do caminho, toda sirene de ambulância que eu ouvia passar, eu achava que estava indo lá salvar a vida dele. Peguei o primeiro metrô pra casa, chorando, em choque. Era um dia lindo de primavera e havia um senhorzinho morrendo numa calçada do Marais.

**

momento 2:

No caminho para casa, me lembrei de uma história da Ivi, que presenciou um acidente com duas velhinhas há pouco tempo. Enquanto fazia meu almoço, liguei o computador para checar emails e coisas novas, aquele piloto-automático de sempre. E resolvi passar no blog da Ivi para ver como ela estava, quando soube do seu coração partido. Acompanho desde o comecinho sua história de amor, tão linda, e foi muito triste saber do seu fim, e de como dói, meudeuscomodói. Lembrei-me da minha, também. E foi tão doído, de novo. 

Continuei a ver o que havia de novo na minha caixa de entrada, e tinha um email avisando do meu “novo trânsito astrológico”: “Nos próximos dois dias, você estará num momento particularmente vulnerável (…) Seu campo estará mais aberto, e você corre o risco de terminar absorvendo problemas e complicações que não são exatamente suas, o que pode incorrer inclusive em doenças físicas. Procure evitar o envolvimento com problemas de irmãos, amigos ou parentes próximos. Respeito a qualidade do momento e recolha-se!”

E eu, que tinha achado isso ridículo da primeira vez que li (“comassim me recolher com esse sol lindo lá fora??!”), de fato senti a necessidade de passar o resto do dia em casa, num sono profundo, chorando todo o choro que o dia não conseguiu chover pelas dores do mundo.


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