médico de alma

Dr. Bechara é pediatra e homeopata. E nosso médico há dezoito anos. Eu e meu irmão vamos lá uma vez por ano para check up geral de mil coisas, solicitação de exames para verificar taxa de triglicérides, respiração, pressão, altura, peso. PESO. Esse último sempre me assustou muito, desde quando eu era criança e meu corpo curvilíneo tinha que competir com meu irmão tipo longilíneo (sonho!). Desde sempre me dá frio na barriga semanas antes de ir, porque ele vai me mandar praticar maratonas porque faz bem pro coração e diminui o colesterol, e vai me receitar homeopatias pra ansiedade e levantar a sobrancelha porque engordei. Sempre. Porque meu peso é oscilante all life long, bem sanfona, mas parece que é só a consulta chegar para ele ficar próximo do que julgo ruim.

Acontece que o Tio Bechara, como eu e meu irmão insistimos em chamá-lo mesmo já tendo atingido a vida adulta há um tempinho, não é médico só de exames e remédios. Ele é médico de conversar também. Júlio não entende como vou ao pediatra até hoje, acontece que ele não é médico só de crianças. Ele é médico de gente. De mandar email pra saber como está, de ligar, ser atencioso, cuidadoso. E excelente profissional, em quem confiamos cegamente. E por ser médico de gente, ele também sempre pergunta como estão as coisas, dá conselhos consistentes, conta experiência de vida e nos enche de novas perspectivas.

Hoje foi minha consulta anual. Eu fiquei adiando “pra nunca” porque tinha coisas que ele iria perguntar e que não, eu não queria enfrentar. E ele perguntou. E eu me abri. Chorei como não chorava há tempos, falei do nó na garganta e de tudo que, a olhos alheios, podia parecer problema miúdo, mas para mim é o mundo, um buraco. E ele, com sua sabedoria sem fim, não só atestou meus problemas como legítimos como ouviu tudo com atenção e, em poucas palavras e cinco motivos, me garantiu que tudo vai ficar bem. E, por ser quem ele é na minha vida, eu acreditei.

Ele receitou um remedinho também, só para garantir. E eu saí de lá com a alma leve, leve. Como há muito não sentia. E quando meu pai pergunta, ‘como foi lá no turco?’, abro meu melhor sorriso e digo que ‘foi tudo bem, vai ficar tudo bem’.

Eu acho que todo mundo tinha que ter um Tio Bechara na vida. Ele faz a minha melhor.

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