nem tudo que reluz

Ano passado, tive a chance de conhecer ao vivo algumas pessoas que eu já super admirava, ainda que apenas na esfera virtual. E não somente conheci de relâmpago como fiquei amiga, de ligar pra tomar café e participar de eventos, e com eles conhecer mais outras pessoas admiradas, e de todo mundo  se tornar bff da vida – vinham emails de ‘linda’ e montes de elogios, abraços apertados e todo um amorzinho-instantâneo até então desconhecido por mim. Me iludi, confesso. Fui engolida pelo mundo mágico da moda, da beleza e das feminices, como se enxergassem em mim tudo o que eu sempre quis ser e nem sabia que podia. E com isso veio todo um sentimento de ‘pertencimento’ nunca antes experimentado, de promessas, sonhos de algodão-doce e uma infinidade de novas possibilidades.

Até que, há uns seis meses, os emails foram rareando, e as ligações, de vez em nunca, vinham com intenções não-explícitas. Eu, ingênua por natureza, demorei para me dar conta de que o tempo todo em que eu vivi no tal país das maravilhas foi porque quem me colocou dentro dele tinha outros interesses, não demonstrados desde o início. E não eram na minha amizade ou companhia, eram interesses-de-gente-interesseira mesmo, ruins. Mesmo que essas pessoas, em teoria, só preguem o bem aos quatro ventos. Fiquei chateada, decepcionada e com um pouco menos de fé na humanidade, com uma daquelas mini-cicatrizes que não perfuram nenhum tecido, mas que vêm com uma magoazinha que só se vai com o tempo mesmo.

Então anteontem uma das minhas melhores amigas (de verdade, desde os onze e contando!) me ligou para contar que estava de férias, me chamando para assistir ‘barrados no baile’ na casa dela, porque ela havia feito o brigadeiro de panela do jeito que eu gosto e deu o braço a torcer que é tão bom quanto o que ela fazia do jeito dela. E essa ligação, tão simples e corriqueira, me levou diretamente aos tempos de colégio, quando trocávamos confidências a tarde toda. E me dei conta de que é fácil deixarmos nos enganar pelo mundo do luxo e glamour quando ele bate à nossa porta, assim tão convidativo. Mas o melhor de tudo é ter para onde voltar quando a gente percebe que o que brilha nem sempre é ouro – e eu tenho a sorte de ter grandes amigas que estão ao meu lado há mais de dez anos, que não se importam com o que visto ou compro, que me ligam só para dizer que estão com saudades – quando realmente estão.

Assim, bem piegas, mas verdadeiro: às vezes só um tombo do salto para percebermos que o que nunca sai de moda é o amor sincero.

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