Arquivo de agosto \28\UTC 2009

o melhor que você pode ser

Foi num desses seriados pós-adolescentes que vi dia desses. Um personagem perguntava ao outro, após uma discussão com a namorada:

– Eu não sou esse cara tão ruim que ela diz, né?

E eis que o outro respondeu, meio constrangido (já que o que fez a pergunta, apesar de ter bom coração, é um fanfarrão de carteirinha):

– Não… você é o melhor Steve que você pode ser.

 

Fiquei com isso na cabeça um tempão depois… porque não adianta eu tentar ser magra como a Olívia Palito, ou aprender Física Quântica, ou curtir-a-vida-adoidada sem medir as consequências. Eu não sou assim, e tenho que me aceitar, com minhas falhas, mas também (ainda bem!) com tudo que considero minhas qualidades. E lutar para que elas só cresçam e fiquem melhores com o tempo: para ser a Nath alguns quilinhos mais fina, ou a Nath que fala quatro línguas querendo se aperfeiçoar e aprender mais três, ou a Nath que gosta de sair para dançar tendo tempo para descansar no dia seguinte. A melhor Nathalia que eu posso ser.

Talvez isso tudo venha com a próximidade dos 25, de crescer e ser adulta. Maturidade é um processo do bem.

vou consertar a minha asa quebrada e descansar

Ontem, exatos três anos após a primeira tentativa e dois anos e meio da segunda (na qual eu estava presente), invadiram a minha casa de novo, comigo dentro. Por algo que convém se chamar de ‘sorte’, eu não fui pega e acabei percebendo só quando já haviam indo embora, com nosso quarto dos fundos todo remexido e pegadas de barro perdidas em muito cantos. Passado o susto, a conferência da polícia e todo o samba, o que ficou foi uma insônia de saber que havia um estranho a alguns metros de mim, fuçando as nossas coisas atrás de qualquer valor, preparado para machucar quem quer que aparecesse no caminho. Mal dormi, alternando entre ‘graças a deus não aconteceu nada pior’ e ‘por que isso sempre acontece com a gente? é a quarta vez!’; a tênue linha entre a gratidão e a revolta que assombram que passa por esse tipo de trauma. E eu, que sempre amei ficar sozinha em casa e só nos últimos meses estava retomando esse prazer, pós-trauma da outra ocorrência em 2007, hoje mal consegui sair no quintal para ver o céu. Fui me trancando cada vez mais num mundinho, e lá fora ainda há pegadas de barro seco para lembrar que, o que eu julgava território tão meu, talvez não me pertença tanto assim. Triste.

coração vagabundo

‘meu coração não se cansa
de ter esperança, de um dia ser tudo que quer’
(caetano veloso)

Ontem era para ser uma segunda-feira qualquer de inverno, de agosto. Mas não foi – foi uma segunda em que, do nada, um dos meus maiores sonhos ficou bem perto de se tornar real. E hoje, sem confirmação de coisa alguma, ele acabou voltando pra gaveta daqueles planos que a gente reza para um dia vingarem.

Se eu fiquei triste? Até poderia, mas não fiquei. Porque, apesar de não ter dado certo, só de saber que da noite pro dia minha sorte pode mudar desse jeito e o que tenho de mais meu pode virar mundo real me encheu de borboletas e novas esperanças de viver. E olha que hoje choveu o dia todo, e eu tive que andar meia hora de guarda-chuva em punhos e resto do corpo molhado, o que seria suficiente para me deixar de bico o dia todo. Mas nem isso tirou o meu humor: o meu destino é raro. Ou ‘o que é meu está guardado’, com dizem por aí. Nessa mesma gaveta.

eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?

Em menos de uma semana, encontrei vários grandes amigos que não via há um tempão, juntos ou separados, em pelo menos quatro situações diferentes. E todos eles, de alguma forma, precisaram de mim nesse tempo em que não nos vimos, e eu não estava lá. Nem soube justificar para mim mesma se foi a chuva incessante, a preguiça latente ou a agenda apertada. Só senti que eu estava ausente quando um amigo querido precisou, e isso criou um buraco tamanho dentro de mim que não houve abraço ou remédio algum que resolvesse. Fiquei com raiva por ser adulta e não honrar mais com amizades como quando era adolescente, em que passávamos a manhã toda juntos na escola e ainda tinha conversa para a tarde inteira no telefone, saber se o paquerinha está a fim ou não, que roupa usar na matinê do fim de semana. Hoje não há mais pretês ou tantas inseguranças de estilo, mas montes de outras dúvidas e angústias, planos futuros, casar-ou-comprar-uma-bicicleta. E, apesar de inúmeras vezes adorar ser moça crescida e independente para um montão de coisas, quando reclamo aqui de como é duro ser adulto não é puro charme, não. É porque na maioria das vezes é bem difícil mesmo. E olha que ainda nem casei. Mas bem queria uma bicicleta para correr livre por aí.

i drove all night

Na nossa vidinha cotidiana, tudo parece ter um grande propósito: ser feliz. Como se sempre os fins justificassem os meios, como se os obejtivos fossem sempre a graça a ser alcançada, sem os pormenores que somos obrigados a enfrentar – a fila do banco, a preguiça de ir à academia, o chá de cadeira no médico, os legumes frescos no sacolão.

E mesmo eu, que tenho mania de enaltecer os gestos miúdos (o tal ‘exercício das pequenas coisas’), volta –meia me vejo engrandecendo o que para os outros é quase nada, mas para mim é muito tudo: segurar um volante e dirigir na chuva, dar ré numa rua bloqueada e não arranhar o carro ao entrar na garagem apertadinha. Veja bem, não sou motorista novata não, minha carteira de motorista vence no fim do ano já. Mas sou pedestre e, por quase sempre fazer tudo de transporte público ou caminhando, vira-e-mexe deixo meu kazinho encostado na garagem por semanas a fio – o que vem mudando desde que passei a ficar mais tempo em casa e dependo apenas da minha boa vontade.

Um sonho atual? Uma baliza perfeita numa rua movimentada. Assim, um sonho bem pequenino para muitos, mas enorme para quem o tem. Afinal, não há orgulho maior que vencer um obstáculo sozinha. Mesmo que ele seja apenas um espaço para estacionar.

sitting, waiting, wishing

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Respiro fundo e seguro a ansiedade latente.

Estou quase chegando.

:}

das epifanias cotidianas

Hoje, num devaneio matutino, me dei conta mais uma vez de como o tempo não dá trégua: quando eu era pequenina, minha mãe comprava presentes para eu levar nas festinhas de aniversário dos meus amigos. No início da vida adulta, eu comecei a comprá-los sozinha, com meu salário de estagiária. E então, há dois anos, além de presentes de aniversário eu passei a comprar de casamento, para minhas amigas, o que vem ocorrendo com cada vez mais frequência conforme os anos avançam.

E, apesar de já ter dois ‘sobrinhos’ (filho de amiga e filho de prima), me perguntei quanto tempo vai levar até os presentes dos filhos-das-amigas virarem recorrentes. Nem fiz 25 ainda e outro dia estava numa loja aprendendo qual o tamanho ideal de roupa para uma criança de dois anos. O pior? Eu percebi que já sabia. 


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