o baú da mamãe

mamis, vi, papis

mamis, vi, papis

Ouvi dizer que certas características pulam gerações. Minha mãe é meu maior exemplo de mulher forte exatamente por ter superado grandes obstáculos durante a sua vida: fez faculdade e foi trabalhar fora, namorou (e casou!) com um homem oito anos mais novo (meu paai!), abriu consultório, tinge os cabelos de vermelho desde os vinte e poucos e sempre assumiu as posturas que julgava coerentes, mesmo que isso fosse contra os padrões da época. Quebrou vários tabus e acho que nem se dá conta da importância disso na sua vida, de tão natural que isso parece ser pra ela.

Eu, por outro lado, me acho super careta e controlada. Mamãe fala palavrão e é debochada, fazia permanente até pouco tempo atrás para ficar com uma juba condizente com sua personalidade de leoa (linda!), ousa nas roupas e adora um brilho e um paéte. Eu não falo palavras feias nem escatologias, tenho cabelos lisos e escorridos e quando fiquei com um menino dois anos mais novo quase surtei de vergonha (besta que só).

Mamãe também tinha roupas incríveis nos anos 70/80. Eu vejo seus álbuns antigos e fico babando, “mãe, onde tá essa blusa?”, “você ainda tem esse vestido?!”, “mãaae, eu quero esse cinto!”. Por incrível que pareça, muitas dessas coisas ela ainda tem, sim. E vira-e-mexe eu adapto pro meu próprio guarda-roupa. Ela se diverte com minhas invencionices, e Ti não pode me ver com algo diferente que já diz “é do baú da mamãe?”. Ele brinca que esse baú não tem fundo, porque há anos eu resgato coisas de lá. Acho que meu olhar vai mudando com o tempo e algo que parecia desinteressante há três anos hoje é um achado. Outro dia saí com uma camisa e um cinto seu, e ela me olhou e disse “mas você vai vestida de mim ou de você?”. Fofa!

Mamãe é psicóloga e libriana, teoricamente superequilibrada, mas com uma força vulcânica tamanha que às vezes dá um tilt na balança. Outro dia ela me disse que estava triste porque não tinha o que vestir. E aí me dei conta de que, antes de ser mãe, ela é Vera Lúcia, mulher. Levei-a para fazer compras e enchi seu armário de looks novos, presente de dia das mães. Porque mamãe também é, e sempre foi, vaidosa. E depois de ela me carregar à força pro salão pra fazer as unhas quando eu ainda era adolescente, acabei pegando gosto pelas feminices. Pelo menos isso eu acho que não pulou geração.

Obs.: texto inspirado nas mamães de Fer e Cristi, :))

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1 Response to “o baú da mamãe”


  1. 1 Ju maio 15, 2009 às 4:41 pm

    ai nath, que fofo
    não queria ter q dizer isso, mas ultimamente minha mãe não anda me inspirando, aliás, ultimamente eu ando com paciência zero pra ela e confesso q ando sentindo até um pouco de raiva
    aí, depois, me bate um peso na consciência
    mas ela anda com umas atitudes…
    bom, nada a ver, foi só um desabafo pq todo mundo anda se declarando pras mães e eu não consigo nem dizer um “eu te amo”
    =/


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