Arquivo de maio \25\UTC 2009

brand new baby

Há um tempo estava acalentando esta idéia, que veio ao mundo há duas semanas. Estava aguardando ela ficar mais redondinha para aprsentar a vocês e, apesar de ser tão novinha, ela já roubou meu coração, e vivo pensando em mil coisas para escrever por lá, passeios, lugares, viagens.

Espero que ela receba tanto carinho quanto este cantinho aqui ;]

Sejam bem-vindos! ;*

o equilibrista

Fazia cerca de um mês que eu havia ganhado os ingressos e eles estavam na minha bolsa. Falta de tempo, disponibilidade, essas coisas. Então ontem as circunstâncias permitiram e eu pude enfim assistir ‘Man on Wire’, o filme que conta a história do equilibrista que cruzou as torres do World Trade Center sobre um cabo, nos anos 70.

Uma sessão no glamour decadente do Gemini ainda remetia a sonhos antigos, com poltronas de veludo e uma sala gigantesca, de cinemas de rua de outrora. E eu chorei no final, como outras pessoas na sala, e a música-tema ressoou na minha cabeça por horas a fio. Fiquei tocadíssima com a história: um homem, com uma idéia absolutamente maluca, consegue convencer pessoas a ajudá-lo a realizar seu maior sonho: cruzar as torres. Sua paixão faz tudo parecer tão simples… e, mesmo não sendo, já que acompanhamos todos os percalços durante a história, ele consegue chegar lá. O tempo todo eu pensava ‘ele é maluco, ele é maluco’. Mas eu torcia para que tudo desse certo e ele conseguisse.

Era apenas um sonho, que começou com um rabisco no jornal, e foi capaz de contagiar seus amigos ao redor, e uma multidão de nova-iorquinos. ‘Precisávamos desse ar fresco, obrigada!’, até disse uma.

E eu precisava era dessa lição: não importa quão inalcançável pareça o sonho, você pode chegar lá. Basta acreditar.

wire1

bye bye, so long, farewell

Sou péssima com despedidas. Admito que não nasci com jeito algum para a coisa. Conheço pessoas que são elegantes e, mesmo com pesar no coração, conseguem ir lá dizer ‘tchau’ pra todo mundo, abraçar, desejar dias melhores. Eu não. Se pudesse, fugiria sempre sem me despedir, de qualquer situação, à francesa mesmo. Não que eu tenha orgulho disso – sei que é feio e não é de bom tom, algumas pessoas se ofendem até. Mas fazer o quê? Tento melhorar (juro!), mas há alguns ‘desvios de personalidade’ que somos obrigados a aceitar.

Oi, meu nome é Nathalia e eu não aprendi a dizer adeus, como na música do Leandro e Leonardo.

like a rolling stone

Dizem que quando não temos coragem para tomar uma decisão, a vida vem e a toma pela gente. Também dizem que quando uma porta se fecha, outra se abre. “às vezes até duas”, cheguei a ouvir.

No momento, só me resta aguardar para que os ditados se mostrem verdadeiros. Porque também dizem que a esperança é a última que morre. E isso, até hoje, tem sido a minha maior verdade.

o baú da mamãe

mamis, vi, papis

mamis, vi, papis

Ouvi dizer que certas características pulam gerações. Minha mãe é meu maior exemplo de mulher forte exatamente por ter superado grandes obstáculos durante a sua vida: fez faculdade e foi trabalhar fora, namorou (e casou!) com um homem oito anos mais novo (meu paai!), abriu consultório, tinge os cabelos de vermelho desde os vinte e poucos e sempre assumiu as posturas que julgava coerentes, mesmo que isso fosse contra os padrões da época. Quebrou vários tabus e acho que nem se dá conta da importância disso na sua vida, de tão natural que isso parece ser pra ela.

Eu, por outro lado, me acho super careta e controlada. Mamãe fala palavrão e é debochada, fazia permanente até pouco tempo atrás para ficar com uma juba condizente com sua personalidade de leoa (linda!), ousa nas roupas e adora um brilho e um paéte. Eu não falo palavras feias nem escatologias, tenho cabelos lisos e escorridos e quando fiquei com um menino dois anos mais novo quase surtei de vergonha (besta que só).

Mamãe também tinha roupas incríveis nos anos 70/80. Eu vejo seus álbuns antigos e fico babando, “mãe, onde tá essa blusa?”, “você ainda tem esse vestido?!”, “mãaae, eu quero esse cinto!”. Por incrível que pareça, muitas dessas coisas ela ainda tem, sim. E vira-e-mexe eu adapto pro meu próprio guarda-roupa. Ela se diverte com minhas invencionices, e Ti não pode me ver com algo diferente que já diz “é do baú da mamãe?”. Ele brinca que esse baú não tem fundo, porque há anos eu resgato coisas de lá. Acho que meu olhar vai mudando com o tempo e algo que parecia desinteressante há três anos hoje é um achado. Outro dia saí com uma camisa e um cinto seu, e ela me olhou e disse “mas você vai vestida de mim ou de você?”. Fofa!

Mamãe é psicóloga e libriana, teoricamente superequilibrada, mas com uma força vulcânica tamanha que às vezes dá um tilt na balança. Outro dia ela me disse que estava triste porque não tinha o que vestir. E aí me dei conta de que, antes de ser mãe, ela é Vera Lúcia, mulher. Levei-a para fazer compras e enchi seu armário de looks novos, presente de dia das mães. Porque mamãe também é, e sempre foi, vaidosa. E depois de ela me carregar à força pro salão pra fazer as unhas quando eu ainda era adolescente, acabei pegando gosto pelas feminices. Pelo menos isso eu acho que não pulou geração.

Obs.: texto inspirado nas mamães de Fer e Cristi, :))

retorno para mim mesma

‘andei por andar, andei
e todo caminho deu no mar’
(dorival caymmi)

Estava prestes a estourar, feito balão de aniversário enchido além da conta. Só conseguia pensar em tempos longe de tudo e de todos. Pedi dez dias de férias entre os feriados e uma semana deles passei na praia, sendo cinco absolutamente sozinha. Na minha anarquia recém-criada não havia horários para dormir ou acordar, nem para comer ou meditar. Havia apenas o que desse vontade, fosse de tevê ou de mar. E silêncio. Sagrado e merecido.

No meu infinito particular pus os pés na areia e o coração na balança. Vi o que agrada e o que dói. Li biografia querida há tempos, vi reprises de seriados, preparei comidas para uma porção, meditei e pratiquei mantras e posturas de yoga. Num dos dias a brisa de outono deu uma trégua, houve um pôr-do-sol acolhedor e eu mergulhei de cabeça no mar, ‘pra lavar a alma’. Em outros tudo o que a tarde pedia era uma sesta bem dormida: eu ficava com a janela aberta para ver o céu azul, esparramada na cama de casal com consistência de nuvem, e acordava feito criança após soneca de meio dia.

Vi os flamingos que passeiam quando o litoral está deserto, catei conchinhas para enviar pelo correio a quem faz falta, e resolvi voltar a gostar de mim. No caminho de ida, fui com o rosto para fora da janela do carro, com cabelos ao vento feito cachorro de madame. No rádio tocava chico e no céu havia tantas estrelas que pareciam um monte de grãos de areia que inverteram de locação. Foi a certeza que eu precisava de que algo bom me esperava. Na volta não era noite e não havia companhia. Havia um ônibus com desconhecidos, chuva do lado de fora e o meu assento, por acaso, calhou de ser o do meu número da sorte, como se o caixa tivesse advinhado tudo o que eu mais precisava naquele momento.

Chegando em casa me olhei no familiar espelho, não apenas para checar a pele e os cabelos, mas para encarar o saldo final: não emagreci, não mudei de emprego, não arrumei respostas. Mas já sei o caminho para fazer as perguntas.


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