Arquivo para março \31\UTC 2009

horóscopo do dia

Eu sempre fui de acreditar em horóscopos, de ler antes de sair de casa, de receber por email, essas coisas. Mas de uns tempos pra cá ando duvidando das previsões, mais do que o que já duvidamos de costume. Não que elas tenham dito coisas ruins, muito pelo contrário: elas vêm sempre cheias de esperança de dias melhores, especialmente na área em que mais se quer. A vida real é que não anda correspodendo à altura.

if you feel your dreams are dying, hold tight

Faz mais de um mês que busco algo loucamente e não consigo, de maneira alguma, encontrar. Tento esquecer a polianice vezenquando, fechar a cara e fazer a rabugenta, dizer que não acredito mais é em nada, que cansei de ver as coisas não dando certo. Os queridos dizem que se algo não aconteceu é porque não era pra ser, mimimi, coisas que até eu digo para mim mesma para aliviar a frustração, podendo acreditar ou não.

Mas hoje algo aconteceu para restaurar um pouco a minha fé na humanidade. Aliás, três coisas aconteceram, uma seguida da outra. Elas não têm relação alguma com a tal busca, mas, de certa forma, achei que foi como um sinal do universo para que eu não perca as esperanças. Como sempre, volto a fazer a poliana, até porque o céu está tão azul… Quem é capaz de resistir?

autumn times

Foi no primeiro dia do outono de seis anos atrás que começou minha história de amor. E também por isso o outono é minha estação favorita. Gosto das cores incríveis do pôr-do-sol de maio, formando um vanilla sky na janela, emoldurando um quadro impressionista. Gosto das folhas secas, da brisa fresca. Do cheiro das calçadas. E apenas a maneira de o sol bater diferente no chão do quarto já me traz mil recordações, como nenhuma outra época do ano é capaz de trazer. Não há estação com ângulos de raio de sol tão particulares que remetam ao mesmo tempo a jogos universitários no interior com os amigos, mochilão em Lisboa sozinha, viagens a Campos com a família, Buenos Aires com amor-sem-fim.

Lá fora o vento já é mais geladinho, mas aqui dentro sempre aquece só de lembrar tantos bons momentos. No outono o céu é mais azul.

grandes miudezas

Certa vez, em meados de 2006 e com o blog no outro provedor ainda, escrevi um texto sobre morangos. Para quem não leu ou não sabe, morango é a minha fruta favorita. Quando é época e as colheitas crescem (e o preço cai), como caixas e caixas. Meu médico disse ano passado que eu deveria comer ‘de vez em nunca’, pela quantidade absurda de agrotóxicos que há nele. Mas entrou por um ouvido e saiu pelo outro, como diz a minha mãe. Continuo comendo sempre, e muito.

Vira-e-mexe alguém ainda comenta algo da fruta comigo, por causa daquele texto ou por me ver comendo sempre mesmo. E hoje, ao abrir meu email, uma agradável surpresa, logo pela manhã, diretamente do sul:

Oi Nath,

Lembrei de ti quando vi essa foto! Na hora! :D

morango3
Quando eu digo que algo me deixa “com lagriminhas no canto dos olhos”, não é para fazer política não, é porque sou sentimentalóide mesmo. E foi assim hoje pela manhã. Graças a esse email, a anotação que vai para o caderninho hoje é essa: ‘email da Ana, diretamente do sul, com um trailer pintado como se fosse um morango gigante, dizendo que lembrou de mim e enchendo meu coração de palavras doces’.

E acho que nunca contei a ninguém, mas quando era criança meu sonho era morar num trailer. Se ele se concretizasse hoje, com certeza eu iria querer que ele fosse igualzinho a esse, sem tirar nem pôr.

there will be an answer, let it be

Relendo este texto, parei para pensar nos meus planos até meus 30 anos. Meu ex-professor de marketing sempre dizia que tínhamos de ter estratégias bem definidas para alcançar o sucesso, seja num trabalho de faculdade ou na vida mesmo. Até para organizar os horários da semana e a agenda, sabe como? A questão é que eu sempre fui numa vibe mais ‘deixa a vida me levar, vida leva eu’. Graduei-me num curso pelo qual não sou apaixonada, e hoje trabalho em algo que também não me faz pular da cama de alegria todos os dias.

O que mais gosto de fazer na vida é agregar. Conhecimento, pessoas, experiências. Adoro almoços e cafezitos com queridos, conhecer gente bacana, fazer cursos que me interessam e ler, ler muito, até a vista cansar. Treinar o olhar, e reescrever o mundo à minha volta com textos ou fotografias. Então dei-me conta de que meu único plano até os 30 é falar seis línguas com fluência e ter o passaporte carimbadérrimo. Não quero ser gerente de coisa alguma, não quero ter imóveis e empregados e viver sem tempo, não quero ter uma conta bancária cheia e me sentir vazia. Também não quero todos os planos mundanos de casar e ter filhos (apesar de ter um amormaiorqueomundo e isso ser sim um objetivo em nossas vidas, não chega a ser uma prioridade).

Eu quero mesmo é me comunicar, ter um dinheirinho para bancar meus úteis e fúteis e ter, sim, muito tempo para pessoas que amo e experiências que agregam. Não sei se já inventaram profissão em que se ganha dinheiro fazendo exatamente o que se gosta, sem restrições. Mas estou disposta a procurar.

happily ever after

Lembro-me de que a primeira vez que ouvi alguém falar em noivado eu não deveria ter nem cinco anos de idade. Estava na aula de natação e uma professora estava contando à outra que tinha ficado noiva, mostrando aliança e tudo, enquanto a interlocutora a parabenizava, dando pulinhos de alegria, bem mulherzinha. Recordo a sensação de encantamento que tive ao vê-la tão feliz e realizada, e ao notar a aliança tão cuidada. Eu não tinha nem cinco, havia pequenas boias nos meus braços e eu estava lá, toda boba, apaixonada pelo romance alheio.

Ainda levo a sério essa história de noivado. Quando Ju me contou que o Ri a havia pedido em casamento com aliança linda-linda, e que ela pretendia usá-la mesmo depois de casada, virei ainda mais fã do casal (serei madrinha em setembro!).

Meus pais também ficaram noivos antes de casar e, apesar de hoje em dia ser meio fora de moda, eu quero ficar noiva também, com aliança e tudo a que tenho direito, para selar os desejos de casório e de ficar-junto-até-que-a-morte-separe-amém. Quero pedido de joelhos, como nos filmes de Hollywood. E, mesmo tendo sérias dificuldades com esquerda e direita e nunca saber qual mão é a do noivado e qual é a do casado, também quero algo para colocar nos dedos. Para sorrir (e ter muitas borboletas no estômago!) toda vez que olhar as minhas mãos ao procurar uma letra no teclado.


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