Arquivo de fevereiro \27\UTC 2009

i’m pickin’ up good vibrations

Fevereiro passou voando pela janela, e só eu não vi. Desandei um pouco dos planos feitos em janeiro e escapei do que eu julgava tão meu e merecido. Mas a quinta-feira pós-cinzas trouxe de volta não somente um 2009 que promete ser assim todinho meu, como também a esperança de novos futuros – que jamais morre, mas às vezes bem que descansa um bocadinho.

E eu sei que há contas a pagar, estudos a fazer e muitas, muitas coisas a realizar. Talvez março já mude o meu destino, quem sabe? Do que sei é que tenho borboletas a fazerem cosquinhas no estômago, e frio na barriga, sempre – que é bom, para acreditar e fazer acontecer. Também há nuvem cinza vez ou outra, que teima em ficar por uma tarde ou uma semana. Mas enquanto ela me diz que a vida deveria ser bem melhor, eu só respondo que ela será, o que não impede que eu repita: mesmo assim continua sendo linda, linda.

tudo de bom

Dois anos e meio atrás recebi um convite para participar de uma seção nova da Revista Capricho, via comentário de blog. Fiquei meio receosa, até descobrir que a Naty, amiga antiga de blogosfera, estava por trás do projeto. Mergulhei de cabeça e me tornei uma colaboradora da seção “TudoDeBlog”‘.

Durante esse tempo, muitas alegrias vieram por causa dele. A primeira vez que vi um texto na revista foi uma emoção sem-fim. Lembro com um carinho muito especial desse momento: foi num dia bem difícil para mim, tinha acabado de me desligar de uma situação intolerável, e passei em uma banca de revistas para fuçar. Ver meu nome e texto escrito com tanto carinho na revista que acompanhou toda minha adolescência me deu um respiro de esperança. Fiquei sorrindo como boba pela avenida paulista, com os pés flutuando feito paixão à primeira vista. E os outros que vieram em seguida, de alguma forma, me pegaram num momento instável e foram capazes de transformar não só um dia cinza, como também muitas das minhas esperanças de futuro.

Então, há cerca de vinte dias, Naty nos escreveu para dizer que iria mudar tudo, para dar novo respiro ao time. E eu entrei no bolo dos que tiveram que partir. Devo confessar que me deu uma dorzinha no peito ao saber disso, mas, ao mesmo tempo, já sentia que não fazia mais parte “da turma”. Tendo 24 anos, a maioria das pautas já não fazia mais parte do meu cotidiano de profissional-graduada-comprometida-quase-casada.

Desejo a quem ficou (e a quem vai chegar), muita sorte e inspiração, para trazer um pouco mais de diversão e reflexão para as leitoras (tudo assim, bem ÃO e maiúsculo). Dizem que para um amor ser bom, ele só deve durar o tempo que merecer. E o nosso acabou. Sem lenços e chororôs, mas com uma certeza: foi bom enquanto durou.

todo cambiado

 liniers12

há exatos seis anos tudo na minha vida mudou quando um veterano de cabelo arrepiado entrou na minha sala para explicar como era a faculdade.

hoje almoçamos juntos e meus olhos ainda sorriem quando ele está por perto.

dos bons rascunhos

‘Sometimes there are sheets in a sketchbook which, although they are more or less scribbles, nevertheless have something to say.’
(Van Gogh)

A primeira vez que ganhei um desses estava em Londres ainda. Eu havia passado uma semana fora, cuidando de Gabriela, e quando voltei havia duas correspondências para mim em cima da cama: um postal de Nuria, de NY, e um pacotinho embrulhado, de Fortaleza. Queria abrir correndo, feito criança rasgando embrulho em véspera de natal, mas não podia acordar minha companheira de quarto, era madrugada já. Contive minha ansiedade e abri cuidadosa: era um caderninho, tipo moleskine, com capa estilo antiguinha. Um mimo da Cláudia, que eu conhecia como Melissa e hoje também é, como ela mesma diz, “monstro dos presentes”. Eu adoro rascunhar sobre viagens nele – as que fiz e as muitas que ainda quero fazer. Foi ele que me acompanhou firme e forte pela Europa, e que tem uma frase que rascunhei logo no começo, de Robert Louis Stevenson: ‘I travel not to go anywhere, but to go. I travel for travel’s sake. The great affair is to move.’

Nesse um ano e meio que se passou, ela me deu outro, com uma reprodução de um dragão, pintado nas paredes do monastério Lamayuru, no norte da Índia. Segundo a explicação, serve para nos encorajar a alcançar as realizações pessoais. Ela disse que, quando viu, pensou que eu iria amar ou odiar. E eu amei. Esse vai na bolsa, comigo pra cima e pra baixo. Tem de um tudo lá: anotações de cotidiano, listas de compras, telefones e pendências, quereres, inspirações, lembretes… Tem até rascunhos de looks que vou pensando com meus botões e idéias para melhorar o dia-a-dia, de tão pêra-uva-maçã-salada-mista que ele é. Mas, com certeza, a minha parte favorita dele é um diarinho que chamo de ‘motivos para sorrir – não um sorriso qualquer, mas daqueles de encher a alma por dentro, feito espuma de algodão-doce’. Juro que o nome é esse mesmo, bem comprido, e desde julho ele guarda meus sorrisos mais sinceros. Tem dias em que há muitas anotações, tipo muitos motivos para sorrir. E tem outros bem vazios também. Mas, no geral, ele é bem recheado. E, quando pinta uma nuvenzinha aqui em cima, é a ele que recorro.

Há duas semanas chegou mais um pacotinho, presente de aniversário atrasado. Nele, mais um moleskine especial: de Van Gogh, com a capa roxa (linda-linda), e acompanhado de uma ‘irmã’: uma agenda de telefones com uma ilustração dele na capa, direto do museu de Amsterdam. Não pude conter o sorriso e as lagriminhas de emoção que foram parar no canto dos olhos. Incrível como alguém que nem conheço pessoalmente é capaz de transformar não só meu dia, como vários momentos, me incentivando a escrever cada vez mais e a ter comigo não apenas um, como muito motivos-para-sorrir-feito-algodão-doce. E, no dia 3 de fevereiro, o diarinho rascunhado no dragão ganhou mais uma anotação: ‘moleskine e agendinha de van gogh pelo correio, presente de melissa, diretamente do ceará :))) ‘.

dúvida

Dizem que “a esperança é a última que morre”. Mas quando ela se vai e a gente ainda fica, o que sobra?

(meu coração acordou triste porque uma das pessoas que mais amo está assim, sem esperanças de mundo)

clouds in my coffee

Dizem que a vida é feita de incertezas, e algumas delas parecem ficar à flor da pele quando estamos na tpm – coisa de fêmeas de sensibilidade latente. Nesses dias estive por aí, ali, acolá. Tenho textinhos cotidianos prontos e devo formatar em breve para cá. Na bolsa dois van gogh’s cheios de amor infinito me fazem companhia, e num outro caderninho, mais antigo, há diário das coisas que deixam a vida mais feliz, dia após dia, com o coração espumando feito algodão-doce, para reler quando a melancolia bater.

Num email querido disse ainda hoje, ‘(ando) praticando muita inspiração: para manter-me inspirada e inspirar, na medida do possível’.

Espero estar conseguindo, aos poucos.


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