Arquivo de janeiro \28\UTC 2009

vai dar tudo certo na nossa vida!

Essa frase é como um mantra pra mim.
Sempre, tipo todo-dia, minha chefe no Mega virava pra mim e falava “vai dar tudo certo na nossa vida, Naná!”

Jamais esqueci disso, do jeito dela falar, da voz e da entonação otimista. Até deixo escrito em post-its espalhados por perto para eu sempre ver quando bate uma crise ou a situação aperta: “vai dar tudo certo na nossa vida!”

E vai mesmo, tenho fé! :))

*inspirado em e-mail para amiga sagitariana e querida, e também para mim mesma, que ando passando por algumas nuvens vez ou outra.

as flores de plástico não morrem

Eu sei, é horrível. Um daqueles segredos que a gente guarda bem no fundo do baú, de não contar nem pra sombra, sabe? A verdade é que eu não sei cuidar de plantas. Não sei! Minha avó tinha muitas espalhadas pela casa em vasinhos, agora temos três pequenos jardins em casa além dos mil cachepôs, e minha madrinha também tem um monte de pequenas plantinhas em cada canto.

Aliás, minha avó, minha mãe e madrinha são daquelas pessoas que, ao visitar a casa de alguém, pedem mudas das plantinhas para plantar em casa, de tão apaixonadas que são. Quando minha avó faleceu, mamis e madrinha tiveram que dividir seu legado em flora, tipo herança de família. E minha mãe tem várias histórias com esses pequeninos seres vivos, como a da famosa samambaia que morreu murcha após uma visita invejosa ter ido lá em casa quando eu era pequena, que de tanto secar a plantinha acabou jogando um monte de mau olhado nela e a fez falecer. Mamis diz que plantas pegam energia no ar, por isso quando elas estão viçosas é sinal de boas vibrações ao redor.

Mas então vem meu segredo de não saber cuidar delas. Gosto de flores, mas, mesmo assim, não são muitas as que me orgulho de ter cuidado, porque elas morrem mais rápido, especialmente quando são de arranjo e não plantadas. São mais frágeis, delicadas. Já com as plantas não consigo me esmerar, sinto como se fosse falha de caráter. No começo do ano mamis estava viajando e eu fiquei com a tarefa de regá-las todas, e eram tantas! Até meu pai percebeu antes de mim que elas estavam tristinhas e precisando de água, e ele é homem!

Gostaria de saber que continuarei o legado das mulheres da minha família de dedicação à flora nacional, indo às casas das pessoas pegar mudinhas para plantar. Mas não consigo! Sinto como se fosse a bruxa malvada de um conto-de-fadas, batendo num gatinho com uma vara de marmelo. Haverá salvação?

all pretty things

“A cabala fala que tudo que a gente faz, a gente tem que injetar beleza. Uma mesa bem posta, uma casa arrumada, as coisas em harmonia, beleza no trato com as pessoas, unhas feitas, um guarda-chuva bonito que ajude a colorir a cidade, um caco de vidro que a gente tira da calçada.”
(do blog da Ivi)

Mesmo antes de saber disso, uma das minhas lutas diárias já era por um mundo mais bonito. E eu sei que dizem que o conceito de beleza é subjetivo, mas talvez não seja tão assim. Uma flor bonita é uma flor bonita para todas as pessoas, e um gesto delicado é delicado para sempre. Gosto dos detalhes, da atenção, de me sentir bonita e deixar o mundo todo ao redor mais belo também. As gentilezas cotidianas, um sorriso espontâneo e dizer um “bom dia” realmente desejando que a outra pessoa tenha um dia bom, de coração. Acredito muito que os pequenos gestos fazem a diferença no todo, como aquele conto em que o passarinho tentava apagar o incêncio na floresta carregando pequenas gotas de água em seu bico: ele estava fazendo a sua parte.

Li dia desses um texto em uma revista que dizia algo parecido, que as pequenices podem sim fazer a diferença: você se sente mais bonita e, por causa disso, fica mais disposta e distribui sorrisos e bons desejos por aí. E alguém que estava num dia ruim, ao receber sua atenção, pode sim ter um bom dia e continuar a espalhar coisas boas ao redor. Como uma bola de neve, mas uma bola do bem, feito algodão-doce.

Eu mesma já disse, no texto anterior do meu encontro no metrô, que a beleza está nos olhos de quem vê, e de quem sente. Mas, dependendo da ocasião, ela pode estar tão espalhada e inerente que o difícil é não percebê-la. E é isso que eu quero: um mundo bonito. No sentido mais puro e pueril.

toda coração

Tenho mania de dobrar minhas revistas ao meio dos dois lados, para facilitar a leitura, especialmente com o trem em movimento e meus 1.5 de miopia. Era terça por volta de 10h e lá estava eu no metrô, absorvida numa matéria qualquer, quando um senhor me interrompeu para atentar para o fato de minha revista, no formato pocket, ao ser dobrada daquela maneira, formava um coração para quem estava na minha frente (no caso, ele). Meus olhos se encheram de emoção, na hora. Ele disse que eu tinha muito amor “aqui dentro” (ele fez o gesto, batendo no peito) para mostrar isso ao mundo, assim, ainda que sem querer. Disse, “só tanto amor é capaz de criar beleza assim, em coisas tão pequenas”. No que eu respondi, “a beleza também está nos olhos de quem vê.” “Mas está mais em quem sente”, retrucou carinhosamente. Ele não tinha o olho direito e mesmo assim enxergou tamanha sutileza nas minhas aleatoriedades.
Era apenas uma terça qualquer, que se tornou um dia especial. Era uma manhã nublada na qual eu deixei o metrô com lágrimas nos olhos. Talvez comigo a anatomia tenha mesmo enlouquecido, como já disse Maiakóvski, e eu seja assim toda coração. Ou talvez eu seja apenas essa pessoa assim, de muita, muita sorte. Quem mais teria um anjo a cruzar o caminho numa terça-feira fria de janeiro, para lembrar que existe amor até numa revista dobrada?

agora e sempre

“Enquanto não há compromisso, há hesitação. A chance de recuar, uma incompetência qualquer. Todos os atos de iniciativa e criação têm uma verdade elementar, e ignorá-la mata incontáveis idéias e incontáveis planos: no momento em que a pessoa realmente assume um compromisso, a providência também se põe em movimento. Todos os tipos de coisas acontecem para ajudar a pessoa, coisas que nunca teriam acontecido de outra forma. Toda uma corrente de eventos resulta da decisão, gerando em seu favor todos os tipos de encontros e incidentes imprevistos, e ajuda material, que ninguém sonharia que pudesse estar em seu caminho. Seja o que for que você faça ou sonha em fazer, comece. A audácia tem força, poder e magia. Comece agora.
(Goethe)
 
Eu comecei. Como sempre começo as coisas, com vontade mas um pouco resistente, embora esperançosa e sempre resiliente. Já disse em algum lugar que gosto mais dos finais do que dos começos, da sensação de missão cumprida. Mas comecei. Comecei um ano, um projeto de vida, um sonho. Comecei a prestar mais atenção ao que sinto e a quem amo, comecei o projeto ‘the secret’ verbalizado e mil vezes mentalizado para só atrair coisas boas ao redor. Comecei a academia, um pouquinho de dieta e mais amor, aos litros.
 
Eu comecei. Assim, intransitivo e, esperamos, contínuo. Para 2009 e avante.
 
 
*e esse texto, cheio de grandes esperanças e com respiros de um ano bom, vai especialmente para a Ju. Acho que nem ela sabe o raio de sol que é na minha vida, sempre me encorajando em momentos difíceis e enchendo meus dias de luz e vontade. Não é à toa que a vida dela é muito assim: cor-de-rosa.

minha ilha perdida é aí

Irônico como minhas férias favoritas não foram umas de verão, mas de inverno. Era 1995 e eu fui com a família para Paquetá, ilha no litoral fluminense. Era julho e mesmo assim fez sol todos os dias. Não entravam carros na cidade, as ruas eram de pedra e havia um lúdico cemitério de passarinhos, para onde jurávamos que levaríamos o nosso quando ele falecesse. Lá também havia a casa e a pedra da Moreninha, livro que minha mãe me deu de presente depois. Éramos os “paulishtash” da pousada, eles jogavam totó ao invés de pebolim e comíamos feijão preto nas refeições. Fiz uma amiguinha com quem troquei cartas (pelo correio!) até pouco tempo atrás.

As muitas histórias dessa viagem, tantas que nem cabem aqui, permeiam nosso imaginário familiar até hoje. E foi exatamente indo pra lá, na rodoviária, que mamis me comprou um pacote de drops azulzinho da kids, companheiro de muitos outros ao longo da vida. Foi em Paquetá que eu provei drops de anis. E jamais larguei.


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