Arquivo para novembro \10\UTC 2008

moi aussi

“(…)
– Eu admiro a sua imensa versatilidade, Jim.
– Eu sou um fracasso. O pouco que sei, devo ao professor Albert Sorel.
‘O que quer ser?’
‘Diplomata.’
‘Tem fortuna?’
‘Não.’
‘Tem relacionamento com alguém famoso ou influente?’
‘Não.’
‘Esqueça a diplomacia!’
‘Mas o que posso ser?’
‘Um curioso.’
‘Mas isso não é profissão!’
‘Ainda não. Viaje, escreva, traduza. Aprenda a viver em todo lugar. Comece agora. O futuro está nessa profissão.’ (…)”
(“Jules et Jim”, François Truffaut)

Devo dizer que, além de gostar mais de Jim quando ele tirou o bigode, encantou-me sua profissão de ‘curioso’. Identifiquei-me absurdamente com aquele que entende pouco de muito e muito de nada. Que viaja, escreve, traduz. Que aprende a viver em todo lugar. Minha curiosidade passou de predicado a estilo de vida.

Meu nome é Nathalia e eu gosto de coisas bonitas.

Anúncios

just a girl

‘(…) A maior parte dos problemas de personalidade desaparecem com a melhora da aparência geral. Pelo fato de estar mais bonita, a mulher se sentirá feliz e terá mais possibilidades de viver uma vida produtiva, cercada de amigos e pessoas a quem deseja ajudar. Sim, porque a beleza da mulher pode e deve ser cultivada, não somente para a vaidade e satisfação própria, mas para seu respeito e para a satisfação de sua família e seus amigos.’
[Clarice Lispector]

Nunca fui dessas meninas que jogavam bola com os meninos na rua e andavam de skate. Mas também nunca fui como outras que se maquiavam desde os três anos de idade e usavam saltos desde que deixaram de engatinhar. Sempre fui uma garota normal, que andava de bicicleta e brincava de casinha. Inventava roupas para as bonecas e depois pulava amarelinha, ralava os joelhos e pintava as unhas com um esmalte pink que saía no banho.

As feminices vieram mesmo para ficar somente depois dos 20. Foi aos poucos, com uns babados aqui, uns creminhos acolá. Hoje olho para os últimos três anos que passaram e vejo um arsenal de cosméticos na pia do banheiro, roupas com informação fashion pulando do armário, leitura diária de dicas e todo um mulherzinha-pride. É legal quando amigas (e amigos!) me procuram para saber qual a máscara boa para cabelo, ou o creme que hidrata sem melecar – mesmo não sendo expert em nada disso, apenas uma curiosa de plantão.

Além de cremes anti-idade e roupas da última temporada, há outro cuidado que muitas mulheres esquecem: muito do que constrói a elegância feminina está na gentileza e na educação. Por isso, a cada dia mais percebo em mim uma tendência em abaixar o tom de voz e aumentar o tamanho do sorriso. Responder sempre educadamente, ser delicada nas pequenices e simpática até nos contratempos. Isso mamãe me ensinou desde que eu era pimpolha, mas nunca é demais reforçar. Saber sentar-se vestindo saia e não falar palavrões por qualquer motivo também ajudam – apesar de reconhecer que em vários momentos eles são mais do que necessários; mas aí eles cabem, não é mesmo?

Acho bacana estar bem informada e sabida das coisas. Não encaro como futilidades, e sim utilidades, sinal de inteligência bem aplicada. Apenas um elogio já basta para que eu ganhe o dia – meu coração fica saltitando e passo um bom tempo vestindo um sorriso dos mais largos.

Outra coisa que me agrada é saber que em mim esse monte de vaidadezinhas nem é tão visível: e prefiro assim, natural, para que não soe forçado. E, além de tudo isso, gosto também de pensar nesses detalhes como um cuidado especial não somente comigo, mas com as pessoas queridas e com a vida, como disse Clarice. Porque um mundo todo mais bonito ao redor começa desse jeito: nas pequenas coisas. Foi também ela quem disse que ‘aprender não ocupa lugar, e mulher sem caprichos fica triste’. E quanto a isso realmente não restam dúvidas: felicidade é, de longe, o que há de mais belo.


Blog Stats

  • 163,917 hits