adoráveis defeitinhos

‘até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.’
[clarice lispector]

Como todo ser humano, tenho um monte de defeitos (ainda bem!). De longe, um dos ‘externos’ que mais me incomoda é o sorriso. E sorriso é aquela coisa complicada, né, porque não é como celulite, que até dá para esconder – ele sempre está ali, estampado no rosto, ainda mais com alguém como eu, que vivo rindo por tudo e por nada.

Lembro-me de ser pequenina ainda, com meus sete ou oito anos, e perguntar a mamãe quando meus dentes iriam crescer e ficar ‘iguais aos de adulto, grandes e retos’. Ela disse que logo. O que nunca aconteceu: já estou nos meus 20 e poucos, idade em que o único crescimento que tenho pela frente é se comer além da conta. E meus dentes continuam pequenos e serrilhadinhos, desproporcionais ao restante do corpo, e sempre que o sorriso é muito grande minha gengiva aparece. Em to-das as fotos de felicidade extrema é assim. E isso sempre me incomodou.

Mas, como todo ser humano em processo de constante transformação e ‘aceitação do que deus me deu’, também estou aprendendo a aceitar que sou assim, e mudar demais pode transformar algo que é tão meu. Lembro-me de ter lido um livro de Veríssimo certa vez em que os dez homens, personagens centrais, eram apaixonados pela mesma mulher. Não me recordo seu nome, mas sei exatamente o que mais lhes atraía nela: um canino tortinho, exatamente como tenho no meu lado esquerdo. Quando forço para conter o sorriso nas fotografias é exatamente ele que tenta sair, no canto, exibido – ‘oi, eu tenho dentes!’.

E foi quando conheci Júlio que ele disse que uma das primeiras coisas que viu em mim foi o dente tortinho – e gostou. E duas vezes, de maneira inesperada, pessoas diferentes disseram que eu tinha o sorriso mais encantador que já viram, exatamente por ser assim – pequenininho e tímido, desigual. Não quero me gabar ao contar isso, apenas mostrar que, se tivesse o sorriso perfeitamente alinhado, como os clichês dos cremes dentais, talvez passasse despercebido num mar de sorrisos branqueados a laser que vemos por aí. Felizmente, os momentos alegres parecem ter vindo para ficar e eu pretendo é continuar sorrindo muito por aí – com sorriso grande, largo e mostrando-as-gengivas mesmo. Então é melhor me acostumar.

* texto inspirado nesse outro aqui – AMEI a história das pernas da mãe! :)

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2 Responses to “adoráveis defeitinhos”


  1. 1 Ju outubro 28, 2008 às 5:25 pm

    tbm tenho um pouco de “timidez” do meu sorriso, mesmo depois de anos de aparelho…
    mesmo assim, acho q tem um certo charme, assim como o seu…
    somos únicas com nossos sorrisos únicos
    =)

  2. 2 _Melissa_ dezembro 13, 2008 às 10:15 pm

    Acredito piamente q funciona como aquele trechinho de “Juno”, em q o pai dela fala: “In my opinion, the best thing you can do is find a person who loves you for exactly what you are. Good mood, bad mood, ugly, pretty, handsome, what have you, the right person will still think the sun shines out your ass. That’s the kind of person that’s worth sticking with”. E acho q isso é válido não só pro Mister Right, mas para todas as pessoas queridas q são worth keeping in our lives.
    Beijos!


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