hello, stranger

Vi dia desses alguém que outrora foi grande amigo. Na calçada oposta, num álbum antigo de fotos ou num perfil atualizado de orkut. Foi ele, mas poderia ter sido ela, ou eles. Foram tantos, já. Pessoas que passam por nossas vidas por alguns dias, às vezes anos até, e depois evaporam. Perdemos os contatos, os laços. Certas vezes mais o segundo do que o primeiro, já que, com a infinidade de meios para nos comunicarmos hoje em dia, maneiras de se achar velhos conhecidos é que não faltam. Mas nem sempre podemos, ou queremos. As pessoas mudam, seres humanos evoluem, eu envelheço. Estranho ver alguém que, em certa época da vida, já foi confidente, de trocar segredos, de abraçar apertado, de ligar pra pedir favor e emprestar consciência. E hoje é um desconhecido. Alguém que vejo em imagens recentes e não reconheço o olhar, alguém que vejo num novo círculo de amigos e não há traço familiar. Alguém que já soube de minhas dores, risos e desamores, das minhas rimas cafonas, das inseguranças noturnas e paixões oblíquas. Mas uma pessoa que hoje nem mais o nome me soa próximo. Como uma roupa usada da coleção passada, que ficou pequena ou gasta com o tempo: não cabe mais e tampouco reconhecemos sua utilidade no presente, sequer há falta ou ausência latente – se houvesse, teria mantido junto, e não sumido. Mas já fez parte de alguma história, da minha vida. De mim.

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7 Responses to “hello, stranger”


  1. 1 Nina outubro 6, 2008 às 9:00 pm

    É verdade, por mais banal que possa parecer é tão raro encontrar alguém que nunca tenha se distanciado de um amigo.Ás vezes não sabemos em que lugar do passado eles deixaram de estar presentes em nossa vida (e vice-versa ) , mas de qualquer forma sentimos falta de certas pessoas, seja vendo uma foto, ou se lembrando daquilo que costumavam fazer juntos, vamos sempre nos lembrar de ‘alguém’ que foi importante em algum momento de nossas vidas.Talvez o ser humano ainda não saiba como recuperar ‘ex’ amigos, e quem sabe nunca aprenda.

    ps : Amei o texto, você escreve muito³ bem, Parabéns !
    Nina Dayrell.

  2. 2 Ju outubro 7, 2008 às 3:27 pm

    é, tem coisas que ficam pra trás…
    =/

    beijooooooooooooo

  3. 3 _Melissa_ dezembro 14, 2008 às 1:29 am

    Eu acho legal (e dinâmico e lindo e extremamente saudável) esse lance de certas “coisas” ficarem pra trás.
    Cada uma com seu enfoque (e discernimento). :)
    Ah, só repetindo mais uma vez (gostou do pleonasmo?) para enfatizar: eu continuo *amando* o seu blog. Muito, muito, muito mesmo.

  4. 4 Tally fevereiro 11, 2010 às 12:54 pm

    lindo texto… passei tantas vezes por isso… e ainda dói qdo acontece…

  5. 5 Fernanda L. fevereiro 15, 2010 às 8:20 pm

    Passei por isso, exatamente por isso, há pouco tempo, até me pergunto se não fui eu que escrevi isso no meu inconsciente e te mandei por telepatia, mas eu não seria tão gênia com as palavras! HAHA
    Amei o seu blog, muito mesmo.

  6. 6 Ully outubro 8, 2010 às 4:04 pm

    OI nathy…to um pouco tímida ainda rs (sou nova por aq) tava procurandu alguma coisa que me preenchece, sobre ex amigos na net, então me deparei com seu blog (maravilhoso diga-se de passagem) e juro me identifiquei muito com seus textos..vc escreve maravilhosamente bem e transpassa muita sinceridade no que escreve…passo aq qse tdos os dias e chego a reler alguns textos..te admiro muito felicidades e ótimas energias grande BEIJO da sua mais nova FÃ =D rs
    Ully


  1. 1 Debaixo de sete chaves « Caraminholas Trackback em julho 20, 2011 às 7:09 pm

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