Arquivo de outubro \31\UTC 2008

para todo o sempre

Vi aqui e fiquei com vontade de fazer*. Porque só de pensar nos momentos já fico feliz de novo :D

10 momentos que esticaria na minha vida

01) Quando Júlio me beijou pela primeira vez. Após um mês de platonices sem-fim, it was a dream coming true. Vi estrelas e ouvi os sininhos – e assim permanece até hoje quando ele me beija, quase seis anos depois! :)))

02) A emoção dos meus pais na minha formatura, e o orgulho do meu irmão em ser meu padrinho de valsa. Foi lindo, lindo! Eles estavam tão felizes!

03) Quando estava no avião e vi as casas de tijolinho ao me aproximar do aeroporto em Londres. Foi uma sensação indescritível ver um sonho assim tão grande se realizando… os seis meses mais incríveis da minha vida.

04) Ver meu primeiro texto publicado na Capricho. Desde criança adoro contar histórias, e ver uma delas na revista que permeou toda a minha adolescência foi uma surpresa tão boa! Até hoje abro o maior sorriso que tenho quando vejo que publicam algum.

05) Reencontrar todas as pessoas que amo após morar os tais seis meses fora. Cada abraço me deixava profundamente emocionada. E ver pela primeira vez meu priminho, Matheus, tãaao lindo, own!

06) O abraço de Ti depois dos seis meses (again!) sem nos vermos (acho que o mais longo e apertado da minha vida!). E a noite juntos depois, colocando histórias em dia e tomando champagne, :}

07) A banca julgadora elogiando nosso projeto experimental. Foi feito com tanto sangue, suor e lágrimas, mas também com tanto carinho e dedicação (acima de tudo) que saímos da faculdade realizados.

08) Quando Juliano me chamou pra trabalhar na Jungle. Era algo que eu queria tanto! Saí de lá flutuando.

09) A primeira vez em que consegui realizar uma postura invertida de cabeça na yoga, após três meses de prática. Pode parecer pouco, mas foi uma grande conquista –  no começo não conseguia nem tirar os pés do chão!

10) Qualquer cinco minutos ou horas a fio com meus amigos e amigas. Almoços, jantares, pic-nics, churrascos, cafés, brigadeiros. Queria que jamais acabassem.

*considerei apenas os últimos seis anos, desde que entrei na faculdade. Porque gente, quase 24 anos em dez itens não ia rolar meishmo!

anti-computador sentimental

Ontem, na aula de fotografia, discutíamos processos de ampliação e eu me dei conta de que há apenas cinco anos não usávamos máquina digital.

Há cinco anos eu vivia meu primeiro amor e estava no meu 1º ano da faculdade. A gente guardava os trabalhos feitos em grupo em disquetes, ouvia músicas gravadas no CD em um discman e aprendia a revelar filme fotográfico e ampliar fotos no laboratório. Não havia pen drive, iPod e câmeras digitais.

Nostalgias à parte, é bom saber que pelo menos o amor, quando bem cultivado, pode ser artigo perene na nossa vida. Porque as tecnologias…

adoráveis defeitinhos

‘até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.’
[clarice lispector]

Como todo ser humano, tenho um monte de defeitos (ainda bem!). De longe, um dos ‘externos’ que mais me incomoda é o sorriso. E sorriso é aquela coisa complicada, né, porque não é como celulite, que até dá para esconder – ele sempre está ali, estampado no rosto, ainda mais com alguém como eu, que vivo rindo por tudo e por nada.

Lembro-me de ser pequenina ainda, com meus sete ou oito anos, e perguntar a mamãe quando meus dentes iriam crescer e ficar ‘iguais aos de adulto, grandes e retos’. Ela disse que logo. O que nunca aconteceu: já estou nos meus 20 e poucos, idade em que o único crescimento que tenho pela frente é se comer além da conta. E meus dentes continuam pequenos e serrilhadinhos, desproporcionais ao restante do corpo, e sempre que o sorriso é muito grande minha gengiva aparece. Em to-das as fotos de felicidade extrema é assim. E isso sempre me incomodou.

Mas, como todo ser humano em processo de constante transformação e ‘aceitação do que deus me deu’, também estou aprendendo a aceitar que sou assim, e mudar demais pode transformar algo que é tão meu. Lembro-me de ter lido um livro de Veríssimo certa vez em que os dez homens, personagens centrais, eram apaixonados pela mesma mulher. Não me recordo seu nome, mas sei exatamente o que mais lhes atraía nela: um canino tortinho, exatamente como tenho no meu lado esquerdo. Quando forço para conter o sorriso nas fotografias é exatamente ele que tenta sair, no canto, exibido – ‘oi, eu tenho dentes!’.

E foi quando conheci Júlio que ele disse que uma das primeiras coisas que viu em mim foi o dente tortinho – e gostou. E duas vezes, de maneira inesperada, pessoas diferentes disseram que eu tinha o sorriso mais encantador que já viram, exatamente por ser assim – pequenininho e tímido, desigual. Não quero me gabar ao contar isso, apenas mostrar que, se tivesse o sorriso perfeitamente alinhado, como os clichês dos cremes dentais, talvez passasse despercebido num mar de sorrisos branqueados a laser que vemos por aí. Felizmente, os momentos alegres parecem ter vindo para ficar e eu pretendo é continuar sorrindo muito por aí – com sorriso grande, largo e mostrando-as-gengivas mesmo. Então é melhor me acostumar.

* texto inspirado nesse outro aqui – AMEI a história das pernas da mãe! :)

o rito necessário do encontro

“(…) No dia seguinte o principezinho voltou.
– Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
– O que é um rito? perguntou o principezinho.
– É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias! (…)”

(Antoine Saint-Exupéry, “Le petit prince”)

 

Não sei se foi costume de criança, de educação ou de ver outra pessoa. Nunca parei para pensar daonde vêm certos hábitos, a verdade é que quando paramos para reparar eles já estão ali: instalados. E esse foi um deles: o de tornar tudo um rito. Lembro-me de, ainda pequena, sempre escolher a melhor roupa para ocasiões especiais. E isso incluía desde as roupas de baixo até as meias – tudo tinha que ser ‘estréia’, com cheiro e cor de roupa nova, para trazer sorte e carregar para sempre lembranças de um dia bom. Toda as vezes seguintes em que eu fosse vestir aquela roupa eu me lembraria do natal especial em que a usei pela primeira vez, ou daquele aniversário em que reuni todos os queridos para comer brigadeiro e vestia, além da blusa nova, um sorriso de orelha a orelha.

Até hoje ritualizo mesmo as coisas banais do dia-a-dia. Para mim, a arte de fazer de todos os detalhes um ritual ‘santifica’ as ações. Nada passa despercebido, nada é feito mecanicamente ou por acaso. Escolher a roupa, os detalhes, o lugar, a música. Não que ações espontâneas não sejam bem-vindas – porque são. Apenas gosto de transformar tudo ao redor com pequenas delicadezas, por uma vida menos ordinária. Mesmo sabendo que a chuva não prevista no fim do encontro é que às vezes traz as melhores recordações da noite toda, com um beijo roubado no meio do aguaceiro; para mim faz parte programar, planejar, se dedicar. Acho um cuidado todo especial para com o outro e para com nós mesmos, com a vida, pensar em todas as pequenices que engradencem as situações. Talvez seja um leve sintoma de TOC. Porque ascendente em virgem eu já sei que não é.

 

*inspirado na comunidade da Mell

vida nova toda hora

Pra mim, todos os começos têm cheiro bom, de respiro, de novidade, de fazer diferente. Já diria Mario Quintana: ‘bendito quem inventou o belo truque do calendário, (…) que nos dá a impressão de que a vida não continua, mas recomeça.’ É assim com ano novo, primeiro dia dos doze meses, segundas-feiras e mudança de estação. Há sempre as promessas que saberemos que jamais serão cumpridas, e aquelas que realmente arregaçamos a manga para fazer acontecer. Outro dia achei uma listinha feita no início do ano de tudo o que eu queria realizar em 2008, e fiquei feliz de ver que consegui boa parte. Entraram para as conquistas a prática da yoga, aprender a me virar no espanhol e no francês, conhecer o carnaval em pernambuco e o frio argentino, fazer um trabalho voluntário, investir na fotografia e regar o amor, em todas as suas formas, que vive dando frutos à minha volta. Para o ano que vem ficaram a corrida, aprender a poupar melhor e a ter menos preguiça em certas coisas. O saldo? A alegria de me saber capaz de conquistar o que quero, a sensação de vitória que não tem preço. Os planos? De continuar alimentando a sementinha e sempre dar o melhor de mim para que não só o ano que vem, como a vida que resta, sempre prospere e venha com muitas e muitas perspectivas. Pois que venha 2009, que começa numa quinta-feira, já que outra coisa está na listinha, também: quebrar um pouco as regras e ser feliz com isso. Mesmo que não seja numa segunda.

 

walking on sunshine

É tempo de morangos, o sol grita vida na janela e eu sou toda coração. Há muita coisa acontecendo aqui dentro e lá fora: planos dando certo, sonhos concretizando e uma felicidadezinha irritante se tornando palpável. Compromissos mil em qualquer brechinha de horário vago, ocupando a mente e a agenda. Programas para um fim de semana sem bem-querer, que curte as férias longe, longe, muitos estudos para ampliar conhecimento e preparativos para aniversário de mamis, com um montão de surpresas e coração transbordando. Ainda falta a promoção de papis no trabalho, único ‘porém’ que me aflige esses dias. Mas o destino tem reservado boas surpresas, como almoçar empanadas com fofinhas na vila para ver o trabalho voluntário, matar saudade querida num sábado chuvoso ou conhecer quem se admira num virar de esquina numa sexta ensolarada. Ponho os óculos escuros favoritos e saio seguindo os raios de sol na calçada. Porque quando é primavera e época da minha fruta favorita, a regra é clara: é melhor aproveitar.

mire, veja

O senhor… mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão.
[João Guimarães Rosa]
 
Há os que mudam de cabelo, de endereço e de peso. Os que mudam de sexo, de nome, de profissão. Há os que mudam de ocasião. E há os que simplesmente mudam, verbo intransitivo. Eu mudei. Talvez imperceptivelmente para quem vê de fora, mas algo que eu sei que está diferente, e isso me basta. Eu saber. Que nem sempre posso ajudar as pessoas que amo, que vê-las sofrer me parte o coração, mas que carinho e um abraço colaboram um bocado, como chocolate quente. Saber que coisas boas vêm, outras nem tanto também, mas que para tudo há um jeito no final – se não deu certo ainda, é porque não chegou ao fim. E saber que sempre posso buscar dentro de mim formas de ser uma pessoa melhor. Uma egotrip sem-fim, de olhar pro umbigo mesmo. Terminei de ler ‘eat, pray, love’ e vi que não há mal algum em olhar somente para si mesma tentando melhorar – o mundo ao redor agradece, também. Havia escrito um texto cheio de esperanças há cerca de 40 dias e é triste vê-lo diluído com o tempo sem nem ter sido publicado. Como é triste perceber-me mais cética, sarcástica e descrente com o passar dos acontecimentos. Mas um dia eu chego lá:  estou afinando, João, como a vida ensinou. E isso me alegra de montão.

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