“(…) Fantasiar o fim do mundo é uma forma de nos fantasiarmos a nós como testemunhas desse fim do mundo.
E, além disso, é também uma forma conveniente de sacudirmos um pouco o tédio existencial da nossa condição pós-moderna, da mesma forma que os nossos antepassados medievais procuravam libertar-se da miséria material que os rodeava pela violência utópica.
Vaidade e tédio, eis a combinação dos nossos namoros apocalíticos. Que, às vezes, divertem.
A esse respeito, lembro-me bem do Réveillon de 1999, quando soaram as doze badaladas. A ansiedade estava ao alto: foram meses e meses com notícias tenebrosas de que um “bug” informático iria paralisar o mundo na chegada do ano 2000.
E, quando 2000 chegou, nada de nada. Ou, melhor dizendo, tudo de tudo: a mesma vida para viver; o mesmo trabalho para fazer; as mesmas contas para pagar; a mesma mulher, ou o mesmo homem, para suportar.
Na festinha onde me encontrava, lembro-me até da pergunta de um colega pasmo: “Era isso o bug?” Pergunta de desânimo, não de alívio.
Razão tinha o poeta. Viver sempre também cansa.”
(trecho de “Viver sempre também cansa“, João Pereira Coutinho)
Na semana que passei de férias na praia, aproveitei para colocar toda a leitura em dia. E muitas das coisas que me cercavam, nos dias pós-réveillon (o último?), eram reflexões do fim do mundo, sobre o tal calendário maia que diz que o mundo vai acabar em 21 de dezembro próximo. Fiquei pensando em muitas coisas, sobre o que eu gostaria de fazer e ainda não fiz, em como quero conduzir minha vida este ano, se de fato a gente consegue aplicar no dia a dia a máxima do carpe diem de “aproveitar cada dia como se fosse o último”, é-preciso-amar-as-pessoas-como-se-não-houvesse-amanhã.
Li muitos textos bem bons a respeito. Não defendendo a tal neurose generalizada, mas pontuando coisas interessantes nas nossas atitudes e comportamentos em relação a isso. Ou, se é para sermos práticos, então pelo menos no cotidiano tentar adotar a consciência de finitude e viver o agora. Porque todo mundo sabe que vai morrer um dia, mas “um dia” é tão vago. Se tem data de validade, a gente pelo menos fica um pouco mais esperto. E, se a previsão não se concretizar (o que é mais provável), pelo menos ter a certeza de ter feito muitas coisas boas neste meio tempo. Viver sempre igual cansa. Mas tentar viver o diferente pode ser um prazeroso exercício diário.
Perfeito!
ah como cansa viver igual e diferente tbm, mas eu prefiro ainda tentar o diferente
=)
se o mundo acabar mesmo dia 21/12, pelo menos a gente vai ter comemorado nosso último aniversário!! esse ano tem que ser festa de gala!!!!!