Arquivo para Setembro, 2009

personare do dia

“Nesta próxima fase que vai de 30/09 (Hoje) a 03/10, a Lua estará quase cheia, Nathalia, e ocupando o nono setor zodiacal. Há aqui uma pequena contradição: sua alma está começando a sentir que precisa expandir-se para novos horizontes, conhecer novas pessoas, fazer novos contatos, aprender coisas novas, ir para lugares não antes navegados. Todavia, o Sol na quarta casa ilumina seu mapa informando-lhe que ainda não é tempo, mas brevemente será. Neste período, é mais do que possível que você venha a perceber uma leve “abertura” de novos canais: pessoas que lhe procuram, promessas de novos estudos ou de passeios e viagens. Tenha atenção, porque esta fase é boa para um planejamento daquela que virá depois, daqui a alguns dias, que envolve muita diversão e folia! Mas você ainda precisa passar pela fase de Lua Cheia, pela desestabilização emocional temporária, para então abraçar o período posterior, mais alegre e luminoso.”

E que venha outubro!

ch-ch-ch-changes

Fiquei ‘com cebolas nos olhos’, como diz uma amiga - com aquelas lagriminhas no canto interno que teimam em tentar cair. Porque é minha música favorita de David Bowie, porque há crianças fofas cantando, porque foi a coisa mais linda que vi nos últimos dias, porque estou passando por uma fase de grandes mudanças em minha vida e porque, no fundo, o saldo é positivo: um sopro de grandes esperanças.

Changes are taking the pace I’m going through… ch-ch-ch-changes.

via

agora que sou rica,

mini_me2

eu apareço no blog da jana como mini trendsetter, e descubro que devo culpar meus pais pela minha patologia de ver amor em tudo. 

Foram eles que me deram esses óculos e amor sem fim!

das voltas que o mundo dá

Eu, com a minha ansiedade maluca, já tinha planos para esta mesma data, daqui a três anos. Dia 22 de setembro de 2012 tinha, além do início da primavera, sonho-dourado daqueles que se sonha junto. Hoje os sonhos estão em stand by. Mas a primavera, essa nunca falha: chega às 18h18, cheia de novas esperanças.

times are hard for dreamers

2009. Que ano difícil.

médico de alma

Dr. Bechara é pediatra e homeopata. E nosso médico há dezoito anos. Eu e meu irmão vamos lá uma vez por ano para check up geral de mil coisas, solicitação de exames para verificar taxa de triglicérides, respiração, pressão, altura, peso. PESO. Esse último sempre me assustou muito, desde quando eu era criança e meu corpo curvilíneo tinha que competir com meu irmão tipo longilíneo (sonho!). Desde sempre me dá frio na barriga semanas antes de ir, porque ele vai me mandar praticar maratonas porque faz bem pro coração e diminui o colesterol, e vai me receitar homeopatias pra ansiedade e levantar a sobrancelha porque engordei. Sempre. Porque meu peso é oscilante all life long, bem sanfona, mas parece que é só a consulta chegar para ele ficar próximo do que julgo ruim.

Acontece que o Tio Bechara, como eu e meu irmão insistimos em chamá-lo mesmo já tendo atingido a vida adulta há um tempinho, não é médico só de exames e remédios. Ele é médico de conversar também. Júlio não entende como vou ao pediatra até hoje, acontece que ele não é médico só de crianças. Ele é médico de gente. De mandar email pra saber como está, de ligar, ser atencioso, cuidadoso. E excelente profissional, em quem confiamos cegamente. E por ser médico de gente, ele também sempre pergunta como estão as coisas, dá conselhos consistentes, conta experiência de vida e nos enche de novas perspectivas.

Hoje foi minha consulta anual. Eu fiquei adiando “pra nunca” porque tinha coisas que ele iria perguntar e que não, eu não queria enfrentar. E ele perguntou. E eu me abri. Chorei como não chorava há tempos, falei do nó na garganta e de tudo que, a olhos alheios, podia parecer problema miúdo, mas para mim é o mundo, um buraco. E ele, com sua sabedoria sem fim, não só atestou meus problemas como legítimos como ouviu tudo com atenção e, em poucas palavras e cinco motivos, me garantiu que tudo vai ficar bem. E, por ser quem ele é na minha vida, eu acreditei.

Ele receitou um remedinho também, só para garantir. E eu saí de lá com a alma leve, leve. Como há muito não sentia. E quando meu pai pergunta, ‘como foi lá no turco?’, abro meu melhor sorriso e digo que ‘foi tudo bem, vai ficar tudo bem’.

Eu acho que todo mundo tinha que ter um Tio Bechara na vida. Ele faz a minha melhor.

você já olhou para o céu hoje?

“Porque a gente tem que se amar, tem que amar a vida, ser grata por tudo. Hoje eu acordei e estava aquele dia meio assim, sabe? E eu olhei pro céu e falei ‘poxa, São Pedro, eu queria tanto um dia bonito pra gravação… faz um dia bonito pra mim?’. E depois saiu o sol… assim. Ele foi lá e fez, sabe? Vê como é? (…) Eu às vezes paro e pergunto pras pessoas: ‘você já olhou pro céu hoje?’. Porque eu fico impressionada como as pessoas às vezes passam o dia na rua sem olhar pro céu! E ele está ali todo dia, sempre tão lindo…”

(trecho de ‘Jogo de Cena’, filme de Eduardo Coutinho. E não foi com essas exatas palavras que a moça em questão falou tudo isso, mas foi a mensagem que me marcou)

quando o amor vence

casal

Sábado foi o casamento de uma grande amiga. Depois de mais de um ano acompanhando todos os preparativos, foi muito emocionante ver seu carinho estampado em cada mínimo detalhe da decoração, da comida, da música, de tudo.

Minha primeira vez como madrinha, acompanhada de outro grande amigo nosso, também trouxe emoção a mais: a de segurar com todas as minhas forças o choro no altar para não borrar a maquiagem antes das fotos, a de ver a felicidade estampada no sorriso do noivo quando a viu chegar, e a de testemunhar um amor tão lindo assim firmando um compromisso pro resto da vida, até-que-a-morte-os-separe-amém.

Mas não consegui conter as lágrimas quando os vi na primeira dança, tão realizados que eles estavam. Foi como se não houvesse mais ninguém no salão – só os dois a dançar, vestindo seu melhor sorriso, cúmplices e apaixonados. Ah, apaixonados! É um dos casais mais in love que já vi, e me enche de alegria saber que uma amiga tão especial quanto ela conseguiu encontrar um príncipe assim tão encantado para levá-la em seu cavalo branco. Deixei as lágrimas rolarem sem dó, sem pensar no rímel que não era à prova d’água. O amor venceu. E eu fui pra casa de mãos dadas com meu príncipe, cheia de borboletas e acreditando em finais que, de tão felizes, não são nem finais – são apenas um belo começo.

nem tudo que reluz

Ano passado, tive a chance de conhecer ao vivo algumas pessoas que eu já super admirava, ainda que apenas na esfera virtual. E não somente conheci de relâmpago como fiquei amiga, de ligar pra tomar café e participar de eventos, e com eles conhecer mais outras pessoas admiradas, e de todo mundo  se tornar bff da vida – vinham emails de ‘linda’ e montes de elogios, abraços apertados e todo um amorzinho-instantâneo até então desconhecido por mim. Me iludi, confesso. Fui engolida pelo mundo mágico da moda, da beleza e das feminices, como se enxergassem em mim tudo o que eu sempre quis ser e nem sabia que podia. E com isso veio todo um sentimento de ‘pertencimento’ nunca antes experimentado, de promessas, sonhos de algodão-doce e uma infinidade de novas possibilidades.

Até que, há uns seis meses, os emails foram rareando, e as ligações, de vez em nunca, vinham com intenções não-explícitas. Eu, ingênua por natureza, demorei para me dar conta de que o tempo todo em que eu vivi no tal país das maravilhas foi porque quem me colocou dentro dele tinha outros interesses, não demonstrados desde o início. E não eram na minha amizade ou companhia, eram interesses-de-gente-interesseira mesmo, ruins. Mesmo que essas pessoas, em teoria, só preguem o bem aos quatro ventos. Fiquei chateada, decepcionada e com um pouco menos de fé na humanidade, com uma daquelas mini-cicatrizes que não perfuram nenhum tecido, mas que vêm com uma magoazinha que só se vai com o tempo mesmo.

Então anteontem uma das minhas melhores amigas (de verdade, desde os onze e contando!) me ligou para contar que estava de férias, me chamando para assistir ‘barrados no baile’ na casa dela, porque ela havia feito o brigadeiro de panela do jeito que eu gosto e deu o braço a torcer que é tão bom quanto o que ela fazia do jeito dela. E essa ligação, tão simples e corriqueira, me levou diretamente aos tempos de colégio, quando trocávamos confidências a tarde toda. E me dei conta de que é fácil deixarmos nos enganar pelo mundo do luxo e glamour quando ele bate à nossa porta, assim tão convidativo. Mas o melhor de tudo é ter para onde voltar quando a gente percebe que o que brilha nem sempre é ouro – e eu tenho a sorte de ter grandes amigas que estão ao meu lado há mais de dez anos, que não se importam com o que visto ou compro, que me ligam só para dizer que estão com saudades – quando realmente estão.

Assim, bem piegas, mas verdadeiro: às vezes só um tombo do salto para percebermos que o que nunca sai de moda é o amor sincero.

sobre certa plenitude

Lendo os posts de Ivi, que está curtindo uma jornada pessoal fantástica pela Europa, me deu uma saudade imensa da minha época londrina. Semana passada peguei minha agenda de lá e, após reviver muita coisa, percebi que:

- eu só comia porcarias e estava acima do peso;

- trabalhava até 20 dias seguidos sem folga, juntando dinheiro para viajar;

- muitas vezes dormia apenas três horas por noite, trabalhando ou curtindo a cidade;

- todas as pessoas que eu amo estavam a um oceano de distância, e eu tive que aprender a amar outras que havia acabado de conhecer;

- eu morava numa casa com mais dez pessoas e nunca estava sozinha, nem se quisesse (e na maioria das vezes eu bem que queria!).

E mesmo com todos esses agravantes, hoje, ao olhar pra trás, não consigo enxergar nenhum medo ou infelicidade, só uma constatação: foi a época mais plena da minha vida.