Houve um tempo em que eu me julgava superindependente-senhora-de-mim. Isso foi há uns anos, e eu nem o era de verdade. E houve outra época, quando morei fora, que eu realmente dependia apenas de mim mesma para tudo na vida, e foi nessa hora em que eu mais quis colo para me prender, alguém de quem depender. E percebi que, mesmo quando nos julgamos assim tão ‘independentes’, sempre precisamos nos apoiar em outra pessoa, em uma situação. Se eu pago as minhas contas, é porque alguém me dá um salário em troca do meu trabalho. Se eu só uso transporte público, dependo da boa situação em que ele se encontra para funcionar. E, mesmo a pé, dependo de calçadas em condições razoáveis e faróis abertos. Não há independência completa nesse mundo e, no fundo, é bom saber ter alguém para apoiar, pedir consolo e ombro, chorar. E digo sem medo de ser feliz que, se essa pessoa não houver, dependo de mim e de minhas asas, de minha vontade de ver o mundo mudar. E com isso – ainda bem! – sei que posso contar. De-olhos-fechados.
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